Embora a consciência da ameaça que os tóxicos projetam sobre o futuro da humanidade tenha se posicionado, efetivamente, no contexto das maiores preocupações das autoridades em todo o mundo, nota-se que no final do último século ela ganhou espaço extraordinário no espírito de quantos, na maioria dos países, enfeixam nas mãos responsabilidades totais na condução de seus povos. Não se pode tirar outra conclusão a não ser essa, quando, vendo ou ouvindo televisão e rádio ou lendo jornais dos grandes centros, trava-se conhecimento de medidas seríssimas que têm sido tomadas pelos governos objetivando reprimir o mais que possam o tráfico e o consumo de todos os tipos de entorpecentes. Parece que os poderes públicos em geral acordaram e passaram a se empenhar em movimentos conjugados com o patriótico propósito de abortar o negro futuro que se abaterá, infalivelmente, sobre as futuras gerações humanas, se não se puser areia, desde logo, no desenvolvimento desse problema que angustia milhões de famílias em todos os quadrantes mundiais, infelicitando adultos, jovens e crianças.
O Brasil, onde desde distante data se faz campanha cerrada contra a proliferação dos produtos, está partindo também para uma blitz ainda mais desesperada, porquanto tudo quanto fez até agora no setor não logrou todo o resultado desejado, haja vista que diariamente os órgãos de repressão detectam legiões de traficantes e consumidores nos mais diferentes pontos da Nação. A Polícia Federal está mobilizada em torno da questão, estabelecendo como sua principal preocupação o combate intensivo e extensivo à circulação internacional dos tóxicos, tarefa para a qual vem recorrendo até ao auxílio das Forças Armadas. Graças a isso - publica o JC nesta semana - as apreensões de maconha no País representaram entre nós, no ano findo, um recorde na história nacional, com um aumento de 156% em comparação com 1999; aumento esse que se deve ao incremento nas operações de fronteiras do País e dos Estados, além das blitz a cargo do Plano Nacional da Segurança. Foram 159 toneladas de maconha que deixaram de circular aqui e de serem encaminhadas para o Exterior.
A disposição dos governos brasileiros, federal e estaduais, e da maioria das outras nações, dentre elas os Estados Unidos, quanto a desenvolverem uma resistência tenaz à disseminação dos tóxicos em todas as suas formas - ervas, comprimidos, líquidos e outras - está assumindo as proporções ideais, acenando, conseqüentemente, com a certeza de que produzirá proveitos em prazo nada remoto, a tempo de impedir que as gerações porvindouras se percam na voragem do uso indiscriminado da parafernália gerada pela inescrupulosa maquinaria da corrupção e do crime organizado. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado