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Piscina e fogão à lenha revelam contrastes do Ferradura

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Aos poucos, o Ferradura Mirim está se firmando como um bairro. Os barracos dão lugar a casas de alvenaria. O pequeno comércio, principalmente o informal, aparece e as grandes lojas já fazem propaganda pelo bairro. Hoje, o Ferradura Mirim tem aproximadamente 900 casas e barracos e mais de 4.500 moradores. É a maior favela de Bauru e mostram constrastes. Enquanto uma casa tem piscina, outra só tem fogão à lenha.

Há alguns anos, os moradores do Ferradura Mirim tinham que conviver com a falta de água, energia elétrica e esgoto. Caminhões-tanque do Departamento de Água e Esgoto (DAE) faziam o abastecimento de água, que era guardada em baldes. O mínimo de energia elétrica era conseguida através dos gatos (ligações clandestinas) feitas em casas da redondeza. O esgoto ficava a céu aberto.

Hoje, a situação mudou. Com a instalação de energia elétrica, rede de água e esgoto, os moradores podem tomar banho em chuveiro elétrico, ter geladeira e televisão em casa, o que não era possível há cinco anos. Mas na parte mais baixa do bairro, onde a favela e os barracos ainda existem, o esgoto corre a céu aberto pelas ruas.

Segundo a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), todas as ruas que tinham casas em 1998 receberam rede coletora de esgoto e ligações domiciliares de água. Na época, foram feitos 5.222 metros de rede coletora de esgoto e 374 ligações domiciliares de água. A assessoria de imprensa do DAE informou que as casas que não têm ligações domiciliares de água e rede de esgoto devem entrar em contato com a autarquia para que as providências sejam tomadas.

A instalação de água e energia elétrica possibilitou, também, o investimento no local. A maioria dos moradores já está trocando os barracos feitos com pedaços de madeira por outros de tijolos. As residências do Ferradura Mirim têm características típicas de casas da periferia. A construção é de alvenaria, sem nenhum acabamento, como reboco e pintura.

Geralmente, são casas construídas pelos próprios proprietários, na divisa com as casas vizinhas, sem respeitar o espaço para calçadas ou ruas. Os portões são de madeira, latas ou até mesmo de ferro, conseguidos em outras construções ou ferro-velho.

Os eletrodomésticos mais encontrados nas casas do Ferradura Mirim são geladeira e televisão. O telefone celular também virou um objeto facilmente encontrado entre os moradores. Celular aqui é como mato. Cerca de 80% dos moradores do Ferradura Mirim têm telefone celular, afirmou a vice-presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti.

Muitas casas têm telefone e microondas. Em algumas é possível encontrar até piscina, como a casa da do lar Maria Luíza Burato Vieira. A casa é inteira revestida com piso frio, tem três quartos, sala, cozinha, banheiro com boxe, piscina, telefone, televisão, geladeira, fogão, freezer, microondas e videocassete. Para adquirir os eletrodomésticos e construir a piscina, três dos quatro membros da família trabalham, mas não revelam quanto ganham. Há alguns anos, as pessoas que moravam no Ferradura Mirim tinham medo de investir. Hoje, não. Quem mora aqui está investindo, construindo sua casa, porque sabe que pode morar aqui (Ferradura Mirim) sem nenhum problema, disse Maria Luíza.

Enquanto uma casa do Ferradura Mirim tem até piscina, em muitas as condições de vida são precárias. Os barracos geralmente têm um quarto que também é sala, banheiro e cozinha. São feitos de madeira e os eletrodomésticos encontrados são televisão e geladeira, geralmente velhos. Há barracos que nunca foram modificados. Isso faz com que o bairro não deixe de ser visto como favela, comentou Gisele.

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