O produto, armazenado indevidamente numa residência, poderia causar uma tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru apreendeu ontem mais de 2,5 mil litros de combustíveis, armazenados em uma residência e em um barracão no núcleo Geisel. Os combustíveis apreendidos estavam estocados sem as regras de segurança e poderiam ter provocado uma tragédia na quadra 6 da rua Marechal Deodoro, onde há residências, oficinas e armazéns.
Um incêndio de grandes proporções ou uma explosão poderia ter mandado para o ar casas e estabelecimentos comerciais que estão instalados na quadra.
Os proprietários dos inflamáveis alegaram que desconheciam a legislação. Ademir Bevilacqua, dono da residência onde o produto foi encontrado, e Mauro Lavado, do barracão, foram indiciados por crime contra o Meio Ambiente, conforme a Lei 9605/98, artigo 56, que prevê a proibição de armazenamento de produtos combustíveis em desacordo com as exigências legais. A pena para quem age em desacordo com a legislação é de 1 a 4 anos de reclusão e multa.
Os dois locais onde estavam os recipientes com os combustíveis ficam defronte um ao outro. Na residência, a lavanderia e o quintal foram transformados em depósitos. Foram encontrados 26 tambores de plásticos e de latão sob um pequeno mezanino no quintal, dos quais sete estavam cheios com gasolina e óleo diesel, num total de aproximadamente 1.350 litros. Na lavanderia, ainda haviam mangueiras de várias polegadas e, num pequeno cômodo, mais latões de combustível e equipamentos usados para retirar os produtos perigosos do caminhão.
Ainda na lavanderia, uma porta secreta, de madeira, proporcionava o acesso da casa com um terreno baldio ao lado. Marcas de pneu de caminhão denotavam que o trânsito de veículos no local era recente.
O proprietário da casa foi contatado via telefone e, em seguida, apresentou a nota de compra ao delegado titular da DIG/Garra, José Jorge Cardia. Vamos verificar se a nota é autêntica. É datada de 31 de janeiro de 2001. Mesmo assim, o combustível foi apreendido porque a lei não permite o armazenamento.
Perigo constante
Um tanque com capacidade para 10 mil litros de combustível, contendo apenas 1.150, estava em um barracão que também serve de depósito para caixas de madeira, plástico, pneus etc. O detalhe é que ao lado da bomba de abastecimento de combustível está instalado um extintor de incêndio, vencido em agosto do ano passado.
O barracão era usado como posto de abastecimento dos caminhões que transportam frutas para o Ceasa, segundo informou o delegado. No tanque aéreo havia óleo diesel, porém não estava cheio.
O combustível ao lado de grande quantidade de material inflamável representava perigo constante para a população daquela região. Uma pequena fagulha, uma faísca ou mesmo um cigarro mal apagado poderia ter provocado uma tragédia.
Segundo o capitão Rúbio Galharim, do Corpo de Bombeiros, o armazenamento de produtos combustíveis exige métodos específicos. O armazenamento sem segurança aumenta as chances de incêndio e explosão, alertou. De acordo com ele, o armazenamento em residência poderia, também, ter provocado uma intoxicação nos moradores ou em animais domésticos. Um incêndio provocado por essa quantidade de combustível seria de difícil controle. Nesses casos, o fogo se avoluma e os efeitos, quase sempre, são danosos. O fogo poderia se propagar para áreas vizinhas, comentou.
Outro agravante é que 100 metros adiante da quadra seis da rua Marechal Deodoro está localizada a subestação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Um incêndio de grandes proporções ou uma explosão poderia afetar o fornecimento de energia.
Todos os tambores que estavam na residência e o tanque que estava no barracão foram esvaziados. Os combustíveis ficarão depositados em postos de combustíveis, onde as regras de segurança são respeitados.