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Repórteres em pauta

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

No próximo dia 16, será comemorado o Dia do Repórter. Aquele profissional que dá um duro danado, entrevista várias pessoas, descobre pautas interessantes para que todos fiquem bem informados e que também devem ser lembrados. No jornal impresso, na rádio e na televisão, os repórteres são fundamentais para levar a notícia fresquinha e com todas as informações para a população.Para conhecer um pouco mais sobre esta profissão e passar para os leitores do nosso jornalzinho, conversamos com pessoas de diferentes veículos de comunicação e cada um

Nelson Gonçalves, 31 anos, trabalha na área de política do Jornal da Cidade. Ele descobriu que gostaria de ser jornalista por intuição. "Desde criança, eu sempre gostei muito de escrever. Aí escolhi a faculdade de jornalismo. Confesso que não sabia exatamente como era o trabalho de um repórter."

Nelson comenta que o jornalismo trabalha diretamente com a vida das pessoas, empresas e instituições. "É preciso ter muito cuidado ao colocar as informações, pois todos ficam expostos no jornal." Ao mesmo tempo que "fala da vida das pessoas", o jornalismo também expõe o profissional. "O trabalho do jornalista é fiscalizado sempre, por isso o cuidado em não errar." Gonçalves lembra que ser jornalista é às vezes ter que ser chato. "Chato no bom sentido. Ser insistente e procurar a informação. É necessário ver o que está errado, às vezes, é preciso ver mais o que está errado do que comentar o que está certo." A imprensa é como um fiscal, que fica atenta para que as irregularidades sejam apuradas, que a comunidade possa ser ouvida e seus direitos respeitados. "É preciso ter equilíbrio e bom senso na hora de elaborar suas matérias, não sou favorável ao jornalismo sensacionalista."

O repórter lembra que nem sempre a profissão traz momentos agradáveis. "Uma vez, ainda foca (jornalista que está começando a trabalhar), fui fazer uma matéria de um acidente. No caminho, nem imaginava o que iria encotrar. Ao ver um acidente em que uma Veraneio bateu de frente com um caminhão matando dez pessoas, tive medo. Tudo aconteceu porque a barra de direção quebrou." anos depois, com a morte do piloto Ayrton Senna pelo mesmo motivo, Gonçalves comparou os acidentes. "Mesmo com todo investimento em pesquisas realizado pela Fórmula l, o Senna morreu."

Ser repórter também traz momentos de emoção. Nelson Gonçalves, que tem o nome porque o pai gostava muito do cantor e compositor, também ama a música. Fã de Dominguinhos desde criança, no ano passado teve a oportunidade de entrevistá-lo em Bauru. "Lembro que eu elaborei as melhores perguntas e queria que ele olhasse para mim. Descobri que o Dominguinhos, além de um grande músico, é um ser humano simples, como eu, uma pessoa muito boa, não existe uma casca em torno dele."

Já houve momentos que a receptividade não foi da mesma forma. "Quando entrevistei Maluf e Quércia, por exemplo, vi que são mal-educados, estúpidos."

Nelson finaliza dizendo: "no jornalismo, temos que conviver com todos, com o fraco, o humilde, o poderoso".

Luiz Carlos Franco Júnior, 27 anos, é apaixonado pelo radialismo. "Quando eu era criança, a garotada ia jogar bola e eu ficava brincando de rádio." Aos 15 anos, ele começou a frequentar a rádio Auri-Verde (760 AM), onde trabalha até hoje. "Eu fazia rádio-escuta de jogos esportivos." Assim ele foi aprendendo. Fez radialismo, começou jornalismo e não abandona o rádio por nada. "Já fiz noticiário geral, programas esportivos. No rádio, não existe o recurso da imagem, não temos fotos. Depende mais do repórter."

O Franco diz que procura contar uma história para o ouvinte para que ele entenda o fato. "É preciso ter em mente que o ouvinte não está vendo, é necessário falar tudo e com muito cuidado para não errar." E quando a transmissão é ao vivo? Aí é maior a responsabilidade, não dá para cortar, mudar o texto. O que falar vai para o ar. "O rádio é imediato, você está no acontecimento já informando o ouvinte no mesmo segundo. É simultâneo. E isso é fantástico."

Um fato curioso que Franco comenta é a curiosidade do ouvinte. "Às vezes vão visitar a gente na rádio. É engraçado quando estou em algum lugar e, ao ouvir minha voz, a pessoa fala: Você é da rádio? Nossa, pensei que fosse um senhor." O que o Franco não esquece é a receptividade da população quando está trabalhando. "Às vezes as pessoas não sabem, mas por traz de uma transmissão de jogo de futebol, por exemplo, tem uma equipe que entra em contato com as cidades onde estão acontecendo outros jogos para informar os resultados. São ligações de cinco em cinco minutos." Ele começou assim e hoje faz jornalismo geral, esportivo e plantões.

Franco acredita que falta apenas um espaço dedicado às crianças nas emissoras de rádio. Em Marília, onde ele estuda, há um horário na rádio destinado às crianças. "É o programa do Tio Pedroso, onde elas têm espaço. Acho importante ter um horário para o público infantil, com músicas, informações e, principalmente, um momento para que ela participe, faça a notícia." Franco tem razão, afinal, criança também tem idéias legais, opiniões e tem assuntos que interessam à meninada.

Tânia Regina Assaf Guerra, 40 anos, é editora e apresentadora do SPTV segunda edição, na TV Modelo, e sempre imaginava que iria trabalhar com comunicação. "Eu não sabia o que iria fazer, mas sabia que iria usar a minha voz." Quando criança, Tânia adorava cantar. Aliás, até hoje, a cada dois meses ela canta no Templo (restaurante em Bauru) para matar a saudade. "Eu ficava cantando e fazia meus pais ouvirem."

"Meu primeiro trabalho remunerado foi cantando. Aos 14 anos, formamos um grupo em Piraju chamado Balaio de Gato, que cantava MPB. A gente se apresentou em um bar cantando Gil, Caetano." Depois Tânia fez Rádio e TV, na Faap, e começou a trabalhar com rádio, na Joven Pan. "Sempre achei importante essa questão da utilidade pública, prestar serviços à comunidade. Foi nessa área que comecei na rádio."

Na televisão, Tânia passou por momentos emocionantes. "Em 98, fui fazer uma reportagem em Iacanga, um garotinho de um ano caiu em um buraco, no quintal de sua casa. Eu entrevistava o pai chorando e chorava com ele. Os bombeiros estavam escavando um túnel para socorrer o menino e foram 14 horas de tensão. A noite chegou e não tinha como continuar, pois não havia iluminação. Aí pedi para que usássemos o nosso equipamento, mesmo com o risco de perder a matéria. Felizmente o garotinho foi socorrido com vida. Aí, corremos para a redação e conseguimos colocar a matéria no Jornal Nacional. À noite, no show do Arnaldo Antunes, me sentia em estado de graça, dancei muito."

Mesmo em situações difíceis, sempre vêm as horas de descontração. "Depois que a história acabou bem, o pessoal passava a fita em que eu estava chorando e morria de rir."

Tânia também conta quando fez reportagens com pessoas interessantes. Entrevistas com Arnaldo Jabor e Carlinhos Brown ficaram marcadas na memória da jornalista.

Ela conta que sempre recebe muito carinho das pessoas na rua, principalmente das crianças. "Quem mais reconhece a gente são as crianças. Às vezes, na fila do banco, escuto: mãe, olha lá a Tânia Guerra! Eles falam que encontram comigo todos os dias e eu aproveito para pedir licença para entrar em suas casas!"

Hoje, a Tânia tem uma vida supercorrida para editar todo o material do jornal e ainda apresentar. "São, em média, seis historinhas que a gente tem que contar em cada edição e tudo deve estar certinho. É preciso checar áudio, imagem, texto, tudinho para depois ir ao ar. Às vezes não dá tempo nem para fazer xixi", brinca a jornalista.

Tânia aproveita para dar uma dica para a garotada. "Como aconteceu comigo, a meninada precisa ouvir a voz do anjinho que fica falando o que a gente quer fazer. Se você gosta de música, teatro, dança precisa também ser incentivado. Por isso, se os seus pais não ligam muito quando você gosta de cantar, por exemplo, puxe a orelha deles. O incentivo dos pais é muito importante em toda a nossa vida."

E ela finaliza: "Criança com personalidade, deve ter pais incentivando e não sufocando!"

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