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O ato oficial foi realizado ontem à noite, na sede da OAB, com a presença de prefeitos da região.

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Prefeitos da região, vereadores, empresários, representantes de entidades de classe e civis lançaram o movimento, ontem

A comunidade de Bauru tomou, ontem à noite, mais um passo para a disputa pela instalação da Reitoria da Unesp na cidade. Vereadores, secretários municipais, empresários, representantes de órgãos dos governos estadual e federal, associações de moradores, autarquias, fundações, representantes de entidades sociais e prefeitos da região, participaram do ato que lançou a campanha pela obtenção de 60 mil assinaturas em favor da vinda da reitoria para a cidade. O evento aconteceu ontem à noite, na sede da OAB-Bauru, na avenida Nações Unidas.

A comunidade unespiana, presente no evento com professores e sua diretoria, indicou que a disputa pela interiorização da Unesp ficará entre Bauru e Botucatu, apesar de Araraquara e Rio Claro também serem candidatas. A vantagem de Botucatu é, além de seus atributos, o peso político, como, por exemplo, o empenho do deputado estadual, Miltom Flávio (PSDB), líder do Governo Covas na Assembléia Legislativa do Estado (AL). Se o critério for estritamente técnico, e não político, o diretor da Faculdade de Engenharia da Unesp-Bauru, Edwin Avólio, disse que Bauru fica com a Reitoria.

Ao discursar, Avólio mencionou dados que colocam Bauru entre as que têm maior chance, tecnicamente. Ele lembrou que entre os critérios, três são mais influentes na avaliação, como localização geográfica, infra-estrutura rodo-aero-ferroviária e números de alunos, docentes, servidores e de cursos. Em todos esses itens Bauru está muito bem representada. Temos um aeroporto regional em construção, um sistema rodoviário dos melhores no Interior do Estado. O câmpus de Bauru é o mais próximos entre os demais 14 campi da Unesp e tem 190 alqueires. O câmpus de Bauru tem a maior área de atividades da Unesp, com mais de 18% dos cursos de toda a universidade em Bauru, além de uma população universitária de 3.800 jovens, entre 18 mil em toda a Unesp, descreveu.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, disse que o envolvimento da cidade nesta luta é a preocupação do prefeito. A instalação da reitoria significa uma impactação econômica de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões ao ano. Estamos dando início à campanha de mobilização. Vamos enviar todas as informações sócio-econômicas de Bauru para o Conselho Universitário.

A Unesp de Bauru, conforme dados apresentados por Edwin Avólio, tem, em todas as unidades, 103 programas de mestrado, 90 de doutorado, 26.000 graduandos, mais de 8.400 em pós-graduação. A Unesp oferece 5.085 vagas no vestibular, tem 3.125 docentes, sendo 2.405 doutores (77%), além de 642 mestres e 7.500 servidores. O orçamento anual da universidade é de R$ 580 milhões, sendo R$ 30 milhões no câmpus de Bauru.

Entre os prefeitos da região presentes ao ato, Reinaldo Rocha, de Avaí, falou em nome dos demais. Ele informou que o deputado estadual, Pedro Tobias (PDT), solicitou audiência pública na Assembléia Legislativa (AL), para a discussão técnica da escolha da cidade que irá receber a Reitoria. Se a análise for técnica, Bauru certamente será a escolhida. A Unesp é muito importante para Avaí e inúmeros municípios da região, afirmou. Ele adiantou que os membros da Associação dos Municípios da Média Paulista (AMMEP), entidade composta por 14 prefeitos, irá assinar um manifesto em apoio à candidatura de Bauru para o recebimento da sede administrativa da Unesp.

O vereador José Humberto Santana (PDT), discursou em nome da Câmara Municipal. O representante do Legislativo no evento destacou que a Câmara cumpre apenas sua obrigação de somar forças para a instalação da Reitoria. A vinda da sede administrativa é importante e também estratégica para a região, não só financeiramente como cientificamente. Cada pessoa, cada grupo, cada entidade, cada órgão, passa a ser importante nesta luta e deve dar sua contribuição. A Câmara Municipal, informou Santana, está enviando um documento à Reitoria, em São Paulo, defendendo o nome da cidade na disputa, com a assinatura dos 21 vereadores.

O prefeito Nilson Costa (PPS) lamentou os estragos causados pela chuva mas comparou que a comunidade de Bauru tem demonstrado que reúne forças para superar os desafios e esta luta pela Reitoria é mais uma demonstração. Este momento é de poucas palavras e muita ação. A sede viria como uma homenagem ao desenvolvimento de Bauru. Vamos para a disputa com humildade e crendo que a decisão da Unesp não se moverá por questões político-partidárias.

Nilson Costa informou que, em visita ao chefe da Casa Civil do Governo do Estado, ontem, em São Paulo, ele, o vice-prefeito, Dudu Ranieri (PFL), os vereadores, Milton dota Jr. (PPS) e Edmundo Albuquerque (PSDB), acompanhados dos deputados Carlos Braga (PPB) e Pedro Tobias (PDT), pediram que a escolha da Reitoria seja marcada por critérios técnicos e que o nome da cidade seja lembrado. Para o prefeito, o governo tucano (federal e estadual) deve compensações à cidade, pelas perdas na área de prestação de serviços, em função de privatizações realizadas nos últimos anos. Estas ações resultaram na perda de mais de 4 mil empregos na cidade somente no setor de serviços, um dos mais importantes de Bauru, e a vinda da Reitoria seria o início de uma série de medidas compensatórias.

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