Estatística é do Ciam e refere-se a crimes como lesão corporal, ameaça, estupro, atentado violento ao pudor e homicídio
Uma avaliação do Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) de Bauru - que presta assistência especial àquelas de baixa renda - revelou que, a cada dia, oito mulheres são vítimas de violência. O número levou em conta todos os registros feitos desde que a entidade entrou em funcionamento no município, ou seja, de julho de 1995 a novembro de 2000. Nesse período, aproximadamente 14 mil casos de violência contra a mulher foram notificados, o que na média resulta em oito ocorrências por dia.
Apenas no ano passado, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) tomou conhecimento de 3.085 crimes. Os boletins de ocorrência lavrados referem-se a crimes como calúnia, infâmia, difamação, lesão corporal, ameaça, estupro, atentado violento ao pudor e homicídio.
O Ciam considera o dado alarmante, principalmente porque nem todas as mulheres vítimas de violência chegam a denunciar o fato formalmente. Isso indica que as estatísticas oficiais devem estar abaixo dos números reais.
Os números verificados levaram o Ciam a desenvolver um projeto preventivo junto às escolas, associações de moradores, empresas e instituições, com o objetivo de alterar o quadro de violência existente na cidade. O projeto envolve ações de sensibilização e de veiculação de informações referentes aos direitos sociais. As estagiárias de psicologia que atendem no Centro desenvolveram um programa denominado Prosex, através do qual o órgão buscou orientar e informar as mulheres assistidas sobre questões relativas à sexualidade, tais como gestação, métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis. O modelo desse trabalho chegou a ser apresentado na Primeira Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, realizada em outubro do ano passado, em São Paulo.
Outro projeto que teria ajudado bastante foi o da Brinquedoteca, que visa garantir distração e segurança aos filhos das mulheres assistidas pelo Ciam. O trabalho vem evitando que as crianças presenciem o estado emocional de suas mães durante as sessões.
Além dos programas específicos, a entidade tem a preocupação precípua de desenvolver ações que busquem o fortalecimento e a emancipação de suas usuárias. Entre 1998 e 2000, aproximadamente 40 mil ações nas áreas sociais, psicológicas e jurídicas foram colocadas em prática.
O Ciam foi implantado a partir da lei 3.866, de 12 de abril de 1995, com estrutura de coordenadoria, subordinado ao Gabinete do prefeito. Seu principal objetivo é combater a violência em Bauru, atendendo mulheres submetidas a qualquer forma de violência, tendo em vista a defesa dos direitos civis e o pleno exercício da cidadania.
A população-alvo do órgão são mulheres de baixa renda e maiores de 14 anos, vítimas de violência física, verbal, psicológica, moral, sexual e material, cometidas em ambiente doméstico.
De acordo com representantes do Ciam, seu serviço é bastante relevante para o município. A entidade tem contemplado um número significativo de mulheres bauruenses que conseguem romper com os estigmas sócio-culturais e buscam auxílio para enfrentar a situação de violência no cotidiano.