A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) não está aplicando o desconto médio de 20% a que tem direito um grupo de 5 mil mutuários, beneficiados pela resolução 284 do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A afirmação é de um mutuário, que espera ser beneficiado pela medida desde julho do ano passado.
Ele disse que, faltando dois meses para as eleições municipais realizadas no ano passado, recebeu em sua residência uma correspondência com papel timbrado da empresa, assinado pela diretoria, informando sobre a redução no valor das prestações. Na avaliação do mutuário, a carta aponta indícios eleitoreiros porque destacou, na redação, o nome do prefeito Nilson Costa (PPS), então candidato à reeleição.
A Diretoria da Cohab, indicada pelo senhor prefeito Nilson Costa, que determinou uma Administração voltada para o mutuário, informa que graças a um trabalho que vem sendo desenvolvido desde novembro/1998, haverá muito em breve uma redução nas taxas de juros de seu financiamento de casa adquirida nesse núcleo, diz a correspondência.
Desde aquela época, o mutuário diz que espera o benefício. Já telefonei na Cohab cobrando, já fui lá pessoalmente e nada. A resposta é que serei convocado para conversar sobre o assunto, conta. Na sua avaliação, a impressão que ficou é a de que a medida, de âmbito federal, foi usada politicamente para beneficiar a candidatura de Nilson e depois foi esquecida.
Agenda
O presidente da Cohab, Constante Mogione, informou, através de sua assessoria de imprensa, que a resolução 284 está sim sendo aplicada aos mutuários beneficiados por ela. O problema é que a medida abrange cerca de 5 mil mutuários de 13 núcleos habitacionais, que estão sendo convocados de maneira gradtiva, para evitar tumulto e filas na empresa.
A resolução também atinge os inadimplentes, o que significa dizer que eles também serão convocados pela Cohab. Especificamente em Bauru, segundo a assessoria da companhia, mutuários de dois núcleos foram beneficiados com a resolução. São os núcleos habitacionais Pastor Arlindo Vianna (Bauru 22) e José Regino (Bauru 25).
Juntos, os dois núcleos abrigam 1,5 mil mutuários. Quem já foi beneficiado paga hoje, em média, R$ 100 por mês, contra R$ 180 antes da aplicação da resolução. Ainda de acordo com a assessoria, a prioridade é atender os mutuários originais. Depois, aqueles que fizeram a transferência da casa, ou seja, compraram do original.
Nome no SPC
Diante de reclamações de mutuários, veiculadas na Imprensa local, de que seus nomes ainda constam da lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mesmo depois de o prefeito Nilson Costa ter solicitado ao presidente da Cohab/Bauru, Constante Mogioni, que reconsiderasse a medida, o presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru esclarece que o pedido vem sendo atendido.
Segundo Constante Mogioni, todos aqueles que vêm procurando a Cohab têm renegociado e sempre levando em consideração as condições financeiras de cada um. Mais de 100 já compareceram à Companhia e o que a Cohab verificou foi um grande número de contratos irregulares. Muitos mutuários venderam os seus imóveis sem regularizar a transação comercial junto ao órgão e os atuais ocupantes não estão efetuando o pagamento em prejuízo do próprio mutuário.
A Cohab reafirma que não tem intenção de prejudicar os proprietários, mas por conta disso está solicitando o comparecimento dos negativados à empresa. De acordo com Mogioni, independente de constar do SPC ou não, a Companhia está aberta a todos. A avaliação é feita caso-a-caso, sempre buscando diminuir a inadimplência, mas sem sacrifícios.