É claro que as pessoas têm seus entendimentos sobre todos os acontecimentos de que tomam conhecimento. Os fatos são inegáveis, por si só, e, muitas vezes, incontestes. Mas uma coisa é certa e insofismável.
É a responsabilidade.
Tudo o que acontece, tudo o que transforma uma situação, para melhor ou para pior, resulta de uma atividade humana, às vezes certa, e por muitas vezes errada.
O que sentimos e observamos, diuturnamente, é o descaso dos homens públicos pelas alarmantes situações em que nos encontramos.
Nunca, em tempo algum, tantos precisaram de tantos como no momento atual. O descalabro, o desmando, a insegurança, a corrupção medram assustadoramente como erva daninha. E o que fazem nossos governantes?
Incentivam o desemprego, excluindo o trabalho como a melhor e mais produtora fonte de conhecimento e sabedoria que se possa imaginar. Ninguém pode trabalhar, em sendo menor, mas escolas profissionalizantes não existem à saciedade, e a rua é o lugar comum, é a escola da vida que ensina os meios fáceis de obter vantagens, e, com este curriculum, o menor adentra a maioridade devidamente preparado para o estelionato, para as vantagens fáceis, para o roubo, enfim, para uma infinidade de falcatruas que a fértil imaginação humana pode criar. Estão aí as CPIs para comprovar os crimes. E ainda se relega a segundo plano a atividade trabalho, na pseudo interpretação de que o menor deve ser assistido e contemplado com um ensaio num mundo onde tudo é sonho e fantasia. O Estatuto da Criança e do Adolescente, quer queiram ou não, inibe as entidades que pretendem transformar em cidadão um jovem que, pelo amparo da lei, certamente será mais um habitante do Carandiru.
E por isto nossa indignação, quando uns poucos pretendem dar guarida a uma sociedade fraterna, amiga, promissora e construtiva, os políticos destroem estes anseios, relegando-os às calendas gregas para perfilar um estratagema irrealizável, improdutivo e inconseqüente, cujo destino, obviamente, será o Carandiru.
Sem trabalho, não importando a idade, menor ou ancião, certamente será a hecatombe de uma sociedade que não quer ver nem conhecer os destinos de seus cidadãos. Urge, urgentemente, repensar o assunto, ou não teremos, jamais, cidadãos dignos, honestos, e cônscios de seus deveres e responsabilidades, e, conseqüentemente, estaremos destruindo uma nação que poderá ser onipresente e onipotente no conceito terráqueo de globalização sadia, benfazeja, cristã e humanitária sob todos os aspectos.
É o meu entendimento que certamente pode parecer uma aberração, mas que traduz exatamente o sentimento e a filosofia de vida de uma boa parte das pessoas que lutam para que amanhã tenhamos melhores dias, e constituamos uma nação de que possamos nos orgulhar pelos frutos que ela oferecerá aos seus cidadãos. (Itamir Crivelli - RG: 1.454.404)