Geral

Sem alternativa

(*) Antonio Delfim Netto
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Os números do comércio exterior brasileiro não são nada animadores, contrastando com os bons resultados que a economia vem apresentando nos meses recentes: crescimento da produção industrial (puxando a taxa de crescimento do PIB acima da barreira dos 4% anuais após cinco anos de performance medíocre) e cumprimento da meta de inflação, graças à primorosa administração da política monetária do Banco Central.

É motivo de preocupação o fato de que não tenhamos sido capazes de realizar o esforço suficiente para alcançar superávits importantes na balança comercial. Houve, é verdade, uma redução dramática dos enormes déficits dos anos anteriores, mas não conseguimos sair do vermelho. O que está acontecendo é que, desde a desvalorização de janeiro de 99, o governo agiu como se a simples correção do erro anterior seria suficiente para reativar o setor exportador e os problemas da balança comercial estariam automaticamente eliminados.

Muito pouco foi feito para convencer as empresas brasileiras e as quatrocentas multinacionais aqui instaladas que elas podiam direcionar novamente suas atividades para o mercado externo, porque o governo lhes daria o suporte necessário. Escaldados pela indiferença (em certos momentos chegou ao desprezo!) com que o governo assistiu à desorganização do setor exportador, é natural que os empresários estejam reticentes diante dos riscos inerentes ao comércio exterior. Durante aqueles cinco longos anos de barbárie cambial, os negócios de exportação se tornaram a atividade de maior risco e de menor retorno econômico.

Nos meses recentes, o governo fez sua mea culpa (na verdade é um outro governo que ocupa a área...), reconhecendo que precisa recriar as condições de lucratividade e segurança mínima para o setor. Mas esse é um setor em que cada movimento é quase uma guerra e os empresários necessitam de demonstrações efetivas de que o governo brasileiro está disposto a compartilhar os riscos e que lhes dará apoio logístico e diplomático diante das previsíveis reações da concorrência e isso ficou mais do que evidente nesses dias e das caretas dos organismos internacionais. Trata-se de utilizar o instrumental disponível, assumindo o fato que se trata da décima economia global, dona de um dos mais cobiçados mercados consumidores do Planeta.

O instrumental é o que todos conhecem: é o crédito, é a taxa de juros, é a eliminação de impostos que tem que ser manejado com inteligência, sem temer os arreganhos dos poderosos concorrentes, useiros e vezeiros na prática de construir barreiras e conceder subsídios. Não é muito mais do que isso que se espera do governo de um país que pretenda ser um parceiro global. O argumento central é que nós não temos alternativa: é vital que as exportações cresçam rapidamente para sustentar o aumento das importações numa fase do PIB em crescimento. Precisamos de saldos comerciais da ordem de 12 ou 15 bilhões de dólares anuais para que, mais uma vez, o desenvolvimento não seja interrompido diante das dificuldades de financiamento do déficit em contas correntes.

(*) Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento -E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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