Organização troca ingresso por um quilo de alimento não-perecível; Prefeitura, Lesec e Equipe 1 vão arcar com os prejuízos
Depois de uma reunião que durou cerca de quatro horas, a Prefeitura de Bauru, escolas de samba e Equipe 1 decidiram que não haverá mais cobrança de R$ 3,00 para assistir aos desfiles nas arquibancadas. Desde ontem, os ingressos passaram a ser trocados por um quilo de alimento não-perecível. O prejuízo de R$ 28 mil por dia vai ser assumido por cada uma das partes. Com isso, o esquema de segurança e infra-estrutura, ponto positivo destes desfiles, ficou mantido. Os alimentos vão ser destinados aos projetos sociais da Prefeitura.
O motivo para as mudanças é óbvio. A falta de público. No primeiro dia, 2.000 pessoas estiveram no Sambódromo. Atraídas provavelmente pelo desfile da Cartola, escola de maior torcida em Bauru, 3.000 pessoas foram à passarela do samba anteontem. O baixo público incomodou o prefeito Nilson Costa (PPS).
Algumas decisões são inevitáveis, mesmo que elas não sejam agradáveis de serem tomadas. Há uma crise no sistema e dentro de todas as escolas. Não faz sentido um investimento alto desse e não ter público, afirmou Losnak. O Carnaval de Bauru está perdendo com isso. Eu, pessoalmente, acho que as pessoas tinham que pagar. O pagamento é um reconhecimento.
Anteontem, um dos primeiros a pedir abertamente a liberação dos portões foi o carnavaleco José Horácio Gonçalves, da Cartola. Estou com o astral baixo. Nós estamos aqui por respeito e amor ao público. Fazemos Carnaval para o povo, sem ele não tem motivação, desabafou.
Na ocasião, o secretário de Cultura também mostrava abatimento. Nunca vi o Carnaval tão frio, resumia a situação. A cada meia hora, ele atendia uma ligação do prefeito ao celular. Nilson queria saber da lotação. E nada do público. Situação que pode ter sido prejudicada pela ameaça de outra pancada de chuva como a que foi registrada anteontem à tarde.
Até o desfile da Águia, nem 1.000 pessoas estavam no Sambódromo. Em uma hora, mais 2.000 chegaram, animando um pouco a noite, mas deixando no ar a impressão de que alguma coisa faltava.
Este ano foi um laboratório. No ano que vem, vamos fazer uma ampla discussão sobre o Carnaval com a sociedade, diz Losnak.
De acordo com a Equipe 1, a organização será mantida, mesmo sem a cobrança dos ingressos. A empresa vai continuar realizando o controle de bilheteria e organizando a segurança do Sambódromo.