Visivelmente irritado, vereador do PPS diz que Administração não cumpre o que prega o programa do partido
O vereador José Clemente Rezende (PPS) poderá deixar de compor com o grupo político do prefeito Nilson Costa (PPS). Ontem, ao fazer uso da tribuna durante a sessão legislativa, Clemente fez duras críticas à Administração Municipal, a quem acusa de não cumprir o programa social estabelecido pelo PPS. A confusão em que se meteu o prefeito ao anunciar que determinou à Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) a exclusão do SPC dos nomes de mutuários inadimplentes pode ter sido a gota dágua para o vereador.
Junto com o líder de Nilson na Câmara, Milton Dota Jr. (PPS), Clemente se encarregou de usar a tribuna para anunciar que o prefeito, através de um telefonema do gabinete, havia garantido que os nomes dos inadimplentes seriam retirados, sem ressalvas, do SPC. Passados alguns dias, um grupo de mutuários, em entrevista concedida ao Jornal da Cidade, afirmou que o prefeito não cumpriu a promessa. Muitos deles tentaram usar o crediário e não conseguiram porque estavam negativados no SPC.
A presidência da Cohab explicou, bem depois que Nilson havia anunciado a exclusão dos nomes dos inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito, que os casos seriam estudados de maneira individual. A alteração na decisão provocou constrangimentos nos dois vereadores, que defenderam o prefeito e anunciaram que o problema estaria resolvido.
Discurso
Ontem, Clemente foi claro ao discursar na tribuna e mandou um recado sem rodeios à Administração. Ele demonstrou sua insatisfação dizendo que, antes de escolher um partido para candidatar-se a vereador, avaliou o programa político de várias legendas. Escolhi o PPS porque é um partido que prega a luta em defesa dos mais humildes, das injustiças e desigualdades sociais. Essa é uma bandeira que eu abraço e defendo. É um partido que teve sua origem no PCB, que tem pessoas ilustres, como o senador Roberto Freire.
O vereador acha que a Administração está encontrando dificuldades para se enquadrar no perfil de programa defendido pelo PPS. Na sua opinião, o Governo Municipal tem que administrar em conjunto com o partido, seguindo suas orientações. Se eu perceber que não existe outra solução, outro caminho, para que a Administração corrija os erros, fica difícil caminhar junto. O jeito será buscar outros caminhos, avisa.
Clemente chegou a pedir desculpas aos mutuários da Cohab por ter acreditado na palavra da Administração. Gostaríamos que essa notícia tivesse sido mantida, fosse verdadeira e sustentável. Ele acha, no entanto, que a Cohab quis apenas dar passa-moleque nos mutuários. O vereador não hesitou em afirmar que o Governo Municipal caminha a passo de quelônio, denominação científica para a família das tartarugas.
Outros dois vereadores, Antonio Garmes (PSDB) e Faria Neto (PDT), usaram o microfone de apartes para reforçar as críticas à Administração. O tucano ilustrou sua fala lembrando que há dois anos vivemos nesse disse não disse. Já o pedetista perguntou por quê a Prefeitura não manda para o SPC a lista dos devedores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Além da questão da Cohab, Clemente disse, ainda, que tentou resolver um problema envolvendo estudantes que residem na zona rural e que foram desprovidos de transporte para freqüentar a escola. O vereador chegou a conversar com o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, que prometeu encontrar uma solução para o problema. Mas a situação está do mesmo jeito, garante Clemente.
A indisposição do parlamentar com o grupo político do prefeito começou na indicação do vereador Walter Costa (PPS) para disputar a presidência da Câmara. Ele se posicionou contra justificando que o cargo deveria ser ocupado por um vereador que ainda não tivesse tido a oportunidade de presidir a Casa. Na eleição, Clemente votou em João Parreira (PDT).