Como foi fácil prever, as rebeliões nos presídios se proliferam em afrontoso abuso por falta de reação enérgica do poder constituído! É oportuno salientar que as falhas existentes em nossa prática prisional são as que faltam para atingir um sistema de alto nível, destinado a reeducandos recuperáveis e não a bandidos profissionais perversos, pertencentes ao crime organizado, com mais tempo de pena a cumprir do que de vida. A notória condescendência das autoridades incentiva a audácia dos bandidos em franco desprezo a fácil e implacável providência saneadora:
Entrada de arma no presídio - Como existirem centenas de armas brancas e de fogo com os detentos? Procedam donde for, o problema é fruto da falta de fiscalização constante, com revista pessoal e no interior das celas.
Tráfico de drogas - O mesmo procedimento com respeito às armas. As drogas ainda se revelam pelo odor, pelo acessório que muitas delas requerem para inoculação e pela própria aparência peculiar do drogado.
Greve de fome - Ao ensejo, faça-se economia anotando, cela por cela, quem está em greve de fome para controle da cozinha, sem desperdício. Uma simples questão de contagem!
Queima de colchões - É só não chamar os bombeiros e nem fornecer novos colchões. Quem preferirá dormir sem eles ou a maioria de superlotação, diretamente no chão? Os bandidos são bem maus, mas não tão burros!
Protestações - Fora do presídio, familiares dos amotinados chegam a comover com reclamações veementes, mas não revelam porque seu parente foi parar ali.
Castigo - Se os rebelados soubessem que ao invés de perderem simplesmente certas regalias, pagariam o abuso e os estragos com acréscimo ao tempo de prisão, os ânimos seriam outros.
Mortes - A rigor, poucos desejam um fim cruento ao bandido por mera desforra! Para a grande maioria, quanto menos carrascos de inocentes, melhor.
Mas se a solução para os levantes nos presídios é tão fácil, por que o governo a rejeita e ainda incentiva os motins com tolerância, tendo o remédio à mão? Ora, será que é porque agir contra os presos tira mais votos do que rende? (Hélio Souza - OAB 19.779)