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Empresas estão optando por salários variáveis

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O tradicional salário fixo está cada vez mais perdendo espaço para a remuneração variável em todos os cargos na hierarquia empresarial no Brasil. Isso é o que revela a mais completa pesquisa brasileira sobre políticas, práticas e tendências na administração de recursos humanos, elaborada pela Deloitte Touche Tohmatsu, uma das maiores empresas mundiais de consultoria e auditoria. O crescimento deste tipo de remuneração indica que uma nova tendência nas relações entre capital e trabalho está surgindo, na qual quanto mais sucesso e lucro a empresa obtiver, melhor será para a conta bancária dos seus funcionários, do auxiliar ao presidente.

É a sétima vez que essa pesquisa anual é realizada pela Deloitte. Em comparação aos números colhidos em 1995, o resultado mostra que as empresas estão dando maior valor aos resultados obtidos pelos funcionários no desempenho de suas atividades para remunerar seus colaboradores.

No total, foram pesquisadas 129 empresas dos mais variados segmentos econômicos de todas as regiões do Brasil, responsáveis por um faturamento global de US$ 61 bilhões gerados por suas 237 unidades que empregam quase 500 mil funcionários distribuídos por 297 cargos diferentes.

Empresas de pequeno (21%), médio (35%) e de grande porte (44%) fazem parte do perfil de empresas pesquisadas. Elas têm como principal origem de capital o nacional privado (52,7%); americano (18,6%); alemão (10%); francês (3,1%); inglês (3%) e outros países (3,1%).

O dado mais importante que pode ser observado na pesquisa, é que na maioria das empresas pesquisadas, existe a adoção de sistemas de remuneração variável como por exemplo: prêmios por objetivos atingidos, habilidades e competências, stock options, etc, comparadas às informações divulgadas pelas empresas há 5 anos.

Na opinião do gerente da área de Gestão de Capital Humano da Deloitte Touche Tohmatsu, Adilson Araújo dos Santos, a tendência atual é que os salários fixos diminuam cada vez mais e que a remuneração dos funcionários seja realizada de acordo com o que ele produz ou traz de lucro para a empresa, principalmente no âmbito dos cargos mais nobres como presidência e diretoria.

Todos ganhando mais

A pesquisa da Deloitte avaliou as práticas de remuneração de profissionais pertencentes a todos os cargos da hierarquia empresarial, desde o auxiliar até o presidente. "A média revelou que um presidente de empresa hoje já tem mais de 35% do seu salário composto pela remuneração variável", informa Santos. Mas a pesquisa indica que esta tendência também está se espalhando para outros níveis das estruturas das empresas, como os da gerência geral, chefia, analista, assistente e auxiliar. O cargo de diretor já apresenta 31,83% do salário composto por remuneração variável, seguido do gerente geral (29,39%), gerente (25,29%), chefe/supervisor (20,59%), analista (9,91%), assistente (8,77%) e auxiliar (8,77%), respectivamente. Os dados colhidos pela pesquisa anual apontam para o crescimento na remuneração variável em todos os casos em relação ao quadro de 1995. Naquele ano apenas 29,27% do salário para presidente era composto por remuneração variável, 31,65% para o cargo de diretor, 27,86% para gerente geral, 18,95% para gerente, 16,34% para chefe/supervisor e 3,7% para os cargos de analista, assistente e auxiliar.

De acordo com Adilson Araújo dos Santos, os números obtidos mostram que o processo de maior flexibilidade nas relações trabalhistas, em especial nas formas de remuneração, é irreversível e está caminhando para se tornar uma prática comum a todos. "A tendência das empresas é cada vez mais pagar de acordo com a geração de resultados", destaca o consultor.

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