Não sei exatamente de quem é a culpa, mas é extremamente desgastante insistir no mesmo tema, na mesma avaliação, no mesmo comportamento, como se nossas vidas e a dimensão da nossa economia se resumissem ao tom dado à crise política.
Todos estão acompanhando a discussão ACMxJaderxFHC e Cia Ltda. Acompanhei atentamente os comentários dos analistas financeiros e invariavelmente a avaliação feita por eles é de que o tom da insegurança no mercado acionário, de juros e dólar foi dado por essa crise política.
Bolsas oscilaram, câmbio ficou pressionado. Uma vez ou outra falavam da crise americana, da Argentina e até da Turquia, mas sempre lembravam: o humor do mercado está alicerçado na crise política. O que eu quero dizer é que essas questões são importantes e devem ser consideradas pelos agentes econômicos, mas resumir a nossa economia, que produz mais de R$ 1 trilhão de reais por ano, aos problemas de CPI, de fitas gravadas e tudo mais que está envolvido nessas questões, é no mínimo externar sinais de extrema fragilidade de nosso modelo econômico.
A expectativa é que possamos nos concentrar em questões mais importantes, cobrar a aplicação de ações concretas na solução dos nossos graves problemas sociais, exigir velocidade na reforma tributária, reverter o déficit na balança comercial, enfim, sustentar nosso crescimento. Dar mais importância do que o devido à crise política é fazer o jogo dos especuladores de plantão: plantar o caos para colher dividendos. Insisto: nossa economia vai mais além do que essa crise política.(Reinaldo Cafeo é Delegado do Conselho Regional de Economia)