Geral

Pescar e preservar

(*) Fernando Toyoji Tatemoto
| Tempo de leitura: 4 min

Longe de ser uma rima é uma questão de respeito com a bondosa natureza

Esta história não traz nenhum fato engraçado como normalmente veicula nesta importante coluna, muito apreciada pelos leitores amantes da pesca, mas objetiva concientizar alguns, que hoje são minoria, para não poluírem os nossos rios.

No dia 16.02.01, numa sexta-feira à noite, eu estava na casa do meu irmão Café, que seguramente é uma das pessoas mais conhecidas em Cafelândia, daí o apelido de Café, imortalizado nas dependências da Sabesp, na capital, quando lá trabalhou.

A casa dele, já virou ponto de encontro da nossa turma, onde passamos, agradáveis momentos jogando truco e degustando de uma cervejinha bem gelada e uma boa cachaça. Sempre acompanhados das esposas. Olha aí pessoal o nosso bom exemplo.

Durante a conversa, o Café resolveu agitar uma pescaria no famoso Cargo do Meio, em Bacuriti, distrito de Cafelândia, e convidou, além de mim, o Lico - famoso violeiro e pescador (eu acho que ele é melhor pescando do que tocando, pelo menos não faz mal aos nossos ouvidos) e o João - filho do Sr. Manezinho pedreiro, que diga-se de passagem não puxou o pai em nada.

Tudo combinado, sairíamos no dia seguinte, às 9:00 horas, do Bar do Shi, depois de abastecidas as caixas de isopor com o inseparável combustível de todos os pescadores, independente de raça, cor, religião, e vem transpondo as gerações.

Eu, o Café e o Lico seguimos para a casa do João para apanhá-lo, que resolveu levar o seu sobrinho, o Polaco, que por sinal iria debutar em pescaria embarcada.

Partimos em direção a Bacuriti, sem antes passar no Bar da Ruth, como pretexto que era caminho, onde aproveitamos para tomar. Eu um refrigerante, o Lico uma cerveja de garrafa, o Café e o Polaco duas cachaças cada um e o João um conhaque duplo. Passados meia hora, realmente partimos rumo à pescaria.

Chegando a Bacuriti, uma nova parada, agora no Bar do Sr. Mané, portal de acesso ao Corgo do Meio, que segundo os pescadores da região, que não deu uma paradinha naquele bar, não pega nada. Superstição ou não, é melhor não arriscar. Mas que o Sr. Mané é bom de marketing ninguém duvida.

Pois bem, a cena no que se refere as bebidas ali consumidas se repetiu nas mesmas doses e preferências, eu continuei no refrigerante, mantendo a tese de que numa pescaria em turma, alguém tem que ficar sóbrio o tempo todo, apesar de que nenhum deles se excederam. Perdemos mais meia hora de pescaria, mas com a turma esta parada é inevitável e muito prazeirosa.

Ao chegarmos no rio, bote na água, motor ligado e vamos nós atrás do camarão, considerado a melhor isca para a predadora corvina. O camarão estava farto e com algumas peneiradas, conseguimos o suficiente.

O Lico, que além de ser um profundo conhecedor daquelas águas é também o nosso piloteiro-mor, não que seja o melhor da turma, é que ele é o dono do motor, nos levou num ponto onde tinha literalmente um cardume de corvinas. Foi uma festa, peixe para ninguém voltar com o dedão...

Lá pelas 3:00 horas da tarde, veio o melhor da pescaria, ou seja, a hora da bóia que já estava embarcada, representada por três belas marmitas, que quero aqui agradecer quem gentilmente preparou, a Deth, esposa do Café, e a Fátima, esposa do Lico. Eu, para variar, comi das duas, duas vezes e comeria mais se não tivesse ninguém para repartir. Não é por politicagem mas as duas citadas senhoras estão de parabéns, nota dez. Ou será que se esmeram tanto para verem os maridos fora de casa para não darem trabalho?

Falando em peixes, pegamos belos exemplares de corvina, pois praticamos o pesque e solte, embarcando apenas o necessário. O festival de fisgadas era constantemente interrompido pela elogiável consciência de preservação ambiental do Lico, que a cada latinha de cerveja ou garrafa plástica que descia boiando, ligava o motor e íamos resgatar o lixo para dentro do bote. Nestas ocasiões que foram muitas, a pescaria ficava inteligentemente em segundo plano.

Aos pescadores que lerem esta coluna, esclarecemos, a pedido da natureza, que o Lico não vai pescar todos os dias. Nós humanos já poluimos as cidades por falta de alternativas, mas querer poluir as reservas ecológicas é muito egoísmo, para não dizer um palavrão que comprometeria a publicação deste artigo.

E ainda, quem encontrou um par de chinelos havaianas, cor azul, novinho, lá no local de embarque, queira por gentileza entregar no Bar do Shi, porque pertence ao Lico. Já é o terceiro par que ele perde. E o mais impressionante, nas últimas três pescarias.

Aproveito para registrar também o delicioso jantar que a Dª Hilma, esposa do João, nos preparou no sábado, quando passamos horas inesquecíveis em companhia das nossas esposas, recompondo as energias para o baile pré-carnavalesco, que nos manteve juntos até as 4:00 horas da madrugada. Haja fôlego!

(*) Fernando Toyoji Tatemoto não é contador de histórias, apenas pescador e dos bons.

Comentários

Comentários