A falta de energia elétrica no mundo é atenuada pela queda da atividade econômica, mas na potência mundial o Estado da Califórnia está em pane. No Brasil a situação é caótica, nossa indústria cresceu 11% em janeiro, ou seja, o consumo de energia tende a crescer. Nossa base energética provem das hidrelétricas e a falta de chuva deixa os reservatórios com níveis muito baixos. A soma do aumento do consumo com a precariedade da produção restringe o crescimento econômico, os Blecautes tendem a aumentar. As empresas energéticas vão ser privatizadas pela falta de articulação popular, quando privatizaram o setor de telefonia os serviços inicialmente ficaram debilitados, caso siga a mesma lógica pode ser mais um fator complicador nesta área de soberania nacional, a produção de energia. O governo acordou tarde para esta pendência, iniciaram a construção de termoelétricas, para utilizar o gás que vem da Bolívia, mas para construí-las necessita importar turbinas e equipamentos, que estão em falta no mercado internacional. É louvável multiplicar as fontes de energia do país, mas deveria ter sido planejada no início do primeiro mandato do atual presidente, não foi. A hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo, foi construída na divisa entre o Brasil e Paraguai, mas quem pagou a obra foi o Brasil, hoje importamos energia do Paraguai da usina de Itaipu, não dá para entender. Os militares pensaram na Argentina, pois caso estoure a barragem, Buenos Aires ficará submersa, que mundo.
Adotam uma política de se pensar prioritariamente na produção, mas o consumo pode ser reduzido caso as operadoras estivessem mais aparelhadas, se não estão, devem melhorar a atuação na contenção do desperdício. Em muitas localidades, existem pessoas criminosas que furtam energia alheia, através de ligações clandestinas, é uma barbárie, não pagam pela energia que consomem e são responsáveis solidários com o Estado pela debilidade do sistema. Quando chove, os fios de alta tensão batem uns nos outros, os curtos são constantes e redundam no rompimento definitivo dos cabos, bairros inteiros ficam sem energia, a comida estraga, os faróis não funcionam, o trânsito já complicado fica em estado anárquico. Os empresários desperdiçam em média 30% do que suas empresas consomem, a média mundial é de 6%, falta gestão adequada nas operadoras que regulam o mercado. Como o governo federal e muitos estaduais são clientelistas, rateiam suas administrações com suas bases aliadas, muitas vezes quem tem o poder de mando no Brasil não entende nada do assunto. Claro que buscar uma solução para solvermos esta pendência deve ser conjunta, a sociedade deve denunciar propiciando ao poder público solver suas pendências, consertar os fios em curtos em tempo hábil, antes do rompimento, e conseqüente falta da energia. No verão, alteram o horário para racionalizar o consumo mas os resultados são insignificantes, o problema é estrutural, merece uma ação contundente do Estado, vem tardia, no Brasil os problemas só são resolvidos quando a bomba estoura.
O empresariado que está mais próximo do governo deve pressioná-lo para que possam continuar a crescer, e manter os empregos do trabalhador. A energia ser um fator limitador do crescimento econômico, num país que necessita crescer para resolver a situação miserável do povo é o cúmulo. Claro que os países desenvolvidos impõem nossa política econômica, através do FMI (Fundo Monetário Internacional), nos escravizam através da cilada que a tomada de empréstimos representa, o pagamento de juros é uma agiotagem internacional que o povo do Sul do Globo deve refutar. Deveríamos declarar extintas todas as dívidas externas no mundo, simultaneamente, a articulação para isto deve surgir do seio social, o povo deve pressionar os governos submissos, atualmente todos, e, partir para o confronto com os agiotas.
A guerra comercial pende favoravelmente para quem produz energia e é dono de seu parque de produção, apesar da teoria da dependência de FHC ideologicamente vá em sentido contrário, privatizar, arrecadar dinheiro externo, e não investigar o escândalo das Ilhas Caribenhas. Vender as elétricas para amortizar o déficit público ou pagar juros da dívida externa deve merecer uma oposição ativa, os monetaristas da corte levam o país à derrocada, é chegada a hora do povo ir para rua exigir a demissão de Pedro Malan, responsável direto pelo nosso regresso econômico, sua política é favorável aos estrangeiros não aos brasileiros.
(*) Fernando Marrey - e-mail: famrrey@uol.com.br