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FEBEM

Itamir Crivelli
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Já o disse em várias reuniões das quais, a convite, participei, inclusive nesta Tribuna do Leitor, que o problema crucial de nossa juventude era a falta de trabalho. Os políticos militantes em suas diversas épocas entenderam que ao menor dever-se-ia dar o que de melhor pudesse ser oferecido em matéria de cultura, bem-estar, lazer, enfim, uma plenitude de bem-estar própria de quem dispõe de condições financeiras para sustentação de um status. Não vejam neste meu entendimento qualquer discriminação, ao contrário, tal filosofia paternalista é louvável e aceitável desde que seja possível aplicá-la. O que, infelizmente, não é o caso de nosso querido Brasil, onde uma casta oligárquica, apesar da democracia constitucional, desfruta de um dulce farniente, alheia a uma realidade populacional.

O resultado é evidente. E está só no começo. Quando descobrimos nosso poder de revolta insaciável e insano para satisfação de necessidades prementes e insatisfeitas, sempre e cada vez mais, nos ufanaremos de nossas glórias, tornando-nos, como num vendaval, irracional e de insuportável convivência. Medidas coercitivas momentâneas são simples paliativos. É necessário aprofundar os estudos e começar pelas raízes, onde encontraremos, de há muito, uma insatisfação reprimida merecedora dos melhores e mais profundos estudos de causa e efeito para que, evidentemente, possamos, no futuro, desfrutar de uma paz de cidadãos cônscios de seus deveres e responsabilidades, produtivas, é lógico, mas voltadas para a cidadania tão decantada e propalada, mas moribunda, conturbada e deturpada, sem premissas de um futuro alvissareiro, que possa nos encontrar como produtores de uma nação condigna, fraterna, humana e de bem querência.

Febem, Carandiru e quejandas são mostras purulentas das feridas subliminares existentes em nossos subconscientes, cujo afloramento, a cada instante, representa um foco de moléstia incurável que necessita, urgentemente, de um saneamento básico. A Comissão Justiça e Paz da Diocese de Bauru, na qual me integro, com muita honra e satisfação, lamenta profundamente tais acontecimentos, mormente quando um pacificador como o padre Júlio Lancellotti é violentamente agredido no sublime exercício de seu pastoreio. Outras eras tivemos que foram sufocadas pela insanidade popular; queira Deus não estejamos regredindo a tais patamares. Os homens que comandam os destinos de nossa Pátria precisam repensar o assunto. Nós estaremos, como sempre estivemos, a postos para dar nossa colaboração, se para tal formos convocados. (Itamir Crivelli - RG: 1.454.404)

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