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DROGAS... QUE DROGA !

Roque Ferreira
| Tempo de leitura: 3 min

A Campanha da Fraternidade deste ano aborda uma questão extremamente importante e cria a possibilidade para que a população como um todo, se debruce e encare de frente um problema que está destruindo parcelas cada vez maiores de nossa juventude : O consumo de drogas. Neste pequeno artigo, não pretendo discutir como é feita a abordagem pela campanha, mas apresentar uma posição para estimular o debate.

Um trilhão de dólares. Este é o valor da renda gerada anualmente com o tráfico de drogas em todo o mundo, o que equivale a aproximadamente duas vezes o valor do produto econômico de todo o Brasil. Deste montante, uma pequena parte fica nos países produtores (em média 10%) e a grande maioria tem como destino os grandes bancos e instituições financeiras espalhados pelo mundo. Leia-se : O narcotráfico é uma das empresas mais lucrativas existentes, envolvendo banqueiros, empresários e políticos de toda espécie, como temos acompanhado recentemente no Brasil. Ou seja, ao mesmo tempo em que milhões de jovens e trabalhadores acabam por ser marginalizados pelo vício da droga, uma quantia incalculável de dinheiro oriundo do narcotráfico alimenta a especulação financeira. Sabemos que a especulação financeira respaldada pelos planos do FMI tem causado no Brasil e no mundo o desemprego, o fechamento de indústrias e os cortes de verba na saúde e educação. O Financial Times, um dos principais jornais do mercado financeiro internacional, divulgou recentemente um artigo defendendo a legalização das drogas. As Farc, na Colômbia, tem dado declarações no mesmo sentido. E, pior, muitos companheiros e companheiras que participam de organizações ligadas aos trabalhadores, ao movimento estudantil e da juventude, vêm defendendo a mesma bandeira, tanto no Brasil como em outros países. Particularmente, considero esta posição um tremendo equívoco e acaba por atrapalhar o combate às drogas que principalmente os trabalhadores e a juventude devem encampar. Levanto alguns motivos:

1- Um argumento dos mais comuns é o de que a legalização das drogas poderá resolver os problemas sociais como por exemplo a criminalidade, tirando espaço das máfias corrompidas que organizam o narcotráfico. Todavia, a experiência mostra o contrário: na Espanha, a legalização não melhorou em nada a situação de desagregação social, e acabou por gerar toda uma rede de pretensa proteção ao consumidor organizada pelo governo, por ONGs e cujo exemplo são as narcosalas, isto é, salas destinadas ao livre consumo de dragas.

2- Outros alegam: legalizar não, mas deve-se descriminalizar o uso das drogas para diminuir a repressão policial. Esta tese também é um equívoco. Em primeiro lugar podemos dizer que os efeitos da legalização e descriminalização não são muito diferentes, pois não podemos dissociar o consumo da produção das drogas. Por outro lado, é óbvio que devemos combater a repressão, mas não é a droga que a determina. Os jovens pobres e principalmente negros das periferias das médias e grandes cidades estão à mercê da repressão da polícia em primeiro lugar porque são negros e pobres. Da mesma forma, um jovem que usa crak na maioria dos casos é vítima da falta de escola de qualidade, do desemprego e da falta de perspectiva de vida.

Isto, porém, não pode nos impedir de defender que a droga em geral seja considerada crime. O contrário disso é desresponsabilizar os ricos magnatas das drogas, estes sim que ao invés de estarem freqüentando as colunas sociais, serem tratados como mecenas de diversas atividades deveriam estar presos. Como bem disse o rapper Mano Brown, numa entrevista tempos atrás: Não existem aeroportos nas favelas e bairros da periferia, e portando são os colarinho branco que trazem a droga para cá. Como o Mano Brown, sejamos todos racionais... (Roque Ferreira - Diretor do Sindicato de Ferroviários de Bauru, MS e MT. - RG 9.656.049 SSP/SP)

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