O Centro de Detenção Provisória poderá substituir o Cadeião, que está superlotado. Obra depende de presos da região
O Governo do Estado, através da Secretaria da Administração Penitenciária, está estudando a possibilidade de construir em Bauru um Centro de Detenção Provisória (CDP) para receber pessoas presas provisoriamente de toda a região. Se o CDP for construído, a Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, que está superlotada, poderá ser extinta, como solicitou o Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-7).
No final de janeiro deste ano, após fazer um levantamento que revelou que muitas pessoas presas em Bauru precisam ser encaminhadas para cidades da região por falta de espaço no Cadeião, a Delegacia Seccional sugeriu a construção de um CDP em terreno do Estado - próximo ao Instituto Penal Agrícola (IPA) ou às penitenciárias I e II - e a desativação do Cadeião, que fica no Centro da cidade.
O ofício com a reivindicação, enviado pelo Deinter-7 à Secretaria da Administração, está em fase de análise. O secretário -adjunto da Administração Penitenciária, José Carneiro de Campos Rolim Neto, explicou ao JC que construir um CDP apenas para atender Bauru não é possível porque a demanda de presos provisórios da cidade é pequena.
O CDP é um novo modelo de centro de detenção, com capacidade para até 760 presos, que está sendo construído em várias cidades do Estado de São Paulo para substituir as cadeias. Já contam com CDPs a Capital, Osasco, Campinas e outras cidades do Interior. O Cadeião de Bauru abriga, em média, entre 160 e 170 presos. Mas a demanda de Bauru é maior porque parte dos detentos é encaminhada para cadeias da região justamente por falta de vagas no Cadeião.
Apesar de a cidade de Bauru, sozinha, não justificar um CDP, Rolim Neto disse que o assunto está sendo estudado. Ele esclareceu que só será construído um Centro de Detenção Provisória em Bauru se for para atender os presos de toda a região, para abrigar cerca de 500 detentos.
A transferência do Cadeião da área central é reivindicação antiga de moradores e políticos de Bauru. É consenso que uma cadeia localizada numa das principais avenidas da cidade (Nações Unidas), ao lado da rodoviária, e numa área residencial e comercial, representa risco à população em caso de fuga de presos e rebeliões.
Além do Deinter-7, neste mês, a Câmara Municipal e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção de Bauru também pediram a extinção do Cadeião. Aliás, neste mês, além de superlotado, foram registradas tentativas de fuga e início de motim no Cadeião.