Geral

Campanha contra a turbeculose começará na segunda em Bauru

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Hoje, dia 24 de março, é marcado como o Dia Nacional de Controle da Tuberculose. Em razão da data, as unidades municipais de Saúde, a exemplo de anos anteriores, estarão realizando atividades educativas sobre o tema, em sala de espera, de segunda à sexta-feira da próxima semana. Em Bauru, no ano passado, foram notificados 122 casos novos de tuberculose entre os moradores do município e 24 entre presidiários.

Segundo a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, foram confeccionados cartilhas e folhetos educativos para a campanha. A secretária explica que a rede municipal conta com um atendimento especializado para doentes de tuberculose que são atendidos via Seção de Moléstias Infecciosas (SMI) através da equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistente social e equipe auxiliar.

As unidades básicas de saúde realizam a busca de casos novos encaminhando os sintomáticos respiratórios para exames. Atualmente, a SMI tem acompanhado parte dos doentes de tuberculose através de tratamento supervisionado, que consiste em atender o doente uma vez por semana na unidades de saúde e em sua residência, quando necessário, para observar se o mesmo está ingerindo a medicação corretamente, visando completar o tratamento no prazo de seis meses, evitando assim o abandono antes da cura.

A tuberculose pulmonar, no início, manifesta-se de maneira silenciosa podendo ser facilmente confundida com outras doenças menos graves, como gripes, bronquites e alergias respiratórias, principalmente devido aos sintomas de ordem geral como a febre baixa, emagrecimento, tosse e dores torácicas o que aumenta as dificuldades do diagnóstico precoce, atrasando o início do tratamento e elevando a disseminação da doença.

Calcula-se que um novo doente infecta, em média, dez indivíduos antes de ser tratado e torna-se não transmissor. Dez por cento dos infectados desenvolverão tuberculose ao longo de suas vidas devido à queda de sua resistência orgânica e/ou reinfecção.

No cenário atual, depara-se com a problema do bacilo que vem sofrendo mutações para formas mais resistentes decorrentes de tratamento irregulares com percentuais elevados de abandono. A adesão ao tratamento é um fator muito importante na cura do paciente. As consequências de tratamentos inadequados e incompletos são sérias, pois prolonga a doença e a incapacidade do indivíduo e o doente continua infectado transmitindo a tuberculose na comunidade e desenvolve resistência às drogas.

A tuberculose mereceu, no passado, as atenções dos governantes que se empenharam em estruturar no País um dos mais bem montados sistemas de combate ao mal. Em virtude das medidas adotadas, os índices da doença tornaram-se declinantes a partir da década de 80. Acreditou-se no controle da doença, o que levou as autoridades a um descaso no investimento de tecnologia para ações de diagnóstico e tratamento da mesma.

Porém, esses indicadores atualmente voltaram a piorar devido à crise econômica, à epidemia da aids, à deterioração dos serviços de saúde e, consequentemente, à falência e resistência aos tratamentos. A Organização Mundial de Saúde declarou em 1993 estado de emergência para a tuberculose. O Plano Emergencial para a Tuberculose no Brasil objetiva, em 10 anos, ter 100% dos municípios desenvolvendo ações de diagnóstico e tratamento, 80% dos centros de saúde desenvolvendo estas ações, 92% dos casos existentes diagnosticados e destes, 85 % curados.

Bauru diagnosticou 146 casos em 2000

No Brasil há subnotificação. Muitos casos são tampouco diagnosticados. Se hoje o País tem menos de 90 mil casos notificados, estima-se que haja 129 mil casos da doença, ou seja, 39 mil casos estariam sem notificações. Para todo o mundo, a notificação é de 3,8 milhões de casos novos, do total de 7,4 milhões estimados.

Os índices de abandono do tratamento da doença no Brasil giram em torno de 15% dos casos. O Estado de São Paulo é o estado que tem maior número absoluto e casos. A média de notificação anual é em torno de 17.600 casos. Morrem 1.500 pessoas com tuberculose ao ano no estado.

Em Bauru, no ano de 2000, foram notificados 122 casos novos de tuberculose entre pessoas residentes no município e 24 entre presidiários. Dados da SMS indicam que no quarto trimestre do ano passado vinham sendo atendidos 74 casos, sendo 18 no sistema supervisionado e 56 no convencional.

Como a tuberculose é uma doença que tem cura, os números variam ano-a-ano. Os primeiros dados de controle relativos a este ano serão fechados no próximo mês. Em Bauru, a taxa de abandono do tratamento da doença é da ordem de 16 a 18% dos casos.

O Plano Nacional de Controle da Tuberculose, (PNCT), proposto pelo Ministério da Saúde em 1999, seguindo recomendações da OMS, propõe a implantação do Tratamento Diretamente Observado, (TDO), a pacientes portadores de tuberculose.

O TDO é uma estratégia proposta pela OMS que visa a cura de pacientes, a diminuição de transmissão e a economia de gastos com medicamentos para doentes resistentes.

Significa uma mudança na forma de se administrar os medicamentos, sem mudança no esquema terapêutico: o doente é acompanhado por seis meses ou mais, desde o início do tratamento até a cura, periodicamente, na unidade de saúde ou no seu domicílio, por um profissional de saúde que observa se o mesmo está tomando a medicação prescrita.

Esta experiência foi implantada na Seção de Moléstias Infecciosas - (SMI), no final de 1999, estando hoje com aproximadamente 25% dos pacientes em acompanhamento através do tratamento supervisionado. São encaminhados para este tratamento, preferencialmente, os doentes que apresentam risco de abandono, ou seja, alcoolistas ou com história de abandono anterior.

Desde agosto de 2000, a Secretaria Municipal da Saúde tem adquirido cestas básicas para serem distribuídas aos doentes de tuberculose em acompanhamento supervisionado, através de recursos oriundos do Ministério da Saúde, repassados ao município mediante comprovação do número de altas por cura ocorridas mensalmente.

Saiba sobre a doença

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa de evolução crônica causada pelo bacilo M. tuberculose, identificado por Robert Koch em 1882. A transmissão da doença ocorre principalmente por via aérea e acomete predominantemente os pulmões, podendo afetar outros órgãos como pele, rins, ossos, intestinos, cérebro, entre outros.

É uma doença conhecida há séculos com os mais diversos nomes: peste banca, tísica, escrófula, consunção ou tuberculose. Embora seja uma doença de fácil diagnóstico e tratamento, é um sério problema de saúde pública na atualidade.

A relação da tuberculose com a pobreza (analfabetismo, aglomerações urbanas sem condições de higiene, aglomerações em residências sem espaço suficiente, promiscuidade, a fome que leva a condições de desnutrição e subnutrição) e a falta de infra-estrutura dos serviços para o necessário apoio aos doentes é descrita desde antes da descoberta do bacilo, e nos tempos atuais é objeto de preocupação em seu controle.

Comentários

Comentários