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Catálogo traz caracteríticas do doador

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

É um verdadeiro cardápio de doadores do banco de sêmen com ofertas variadas. Desde a cor dos olhos até o hobby preferido

Um engenheiro de origem libanesa que adora praticar hipismo ou um músico com descendência italiana cujo hobby é ler. As listas das características são bem completas, (leia nesta página um modelo de catálogo), formando o catálogo oferecido pelos hospitais que têm o banco de sêmen. Religião, tipo sangüíneo, peso, altura e cor dos olhos são alguns itens que completam o catálogo observado muito atentamente pelas mulheres interessadas em comprar sêmen. O valor de uma dose, que pode não ser suficiente para se engravidar, custa, em média, R$ 500,00.

As ousadias da genética reprodutiva, normalmente representadas em filmes de ficção científica, estão sendo, numa velocidade considerável, superadas pela realidade. É um verdadeiro mundo novo onde o sexo e a cor dos olhos do bebê podem ser escolhidos antecipadamente. As brigas de casais que acompanham a evolução da tecnologia são por motivos de discordância sobre o sexo do bebê ou sobre as características do doador do sêmen que vai permitir o nascimento de um filho.

As mulheres que decidem engravidar através de uma inseminação artificial de um sêmen comprado em um hospital, escolhem as características se assegurando que há 50% de chances da criança nascer com aqueles olhos azuis tão sonhados. Os outros 50% dependem do óvulo.

Ainda hoje, não há uma técnica segura de congelar óvulos humanos para armazenamento e uso futuro.

Além de doadores de sêmen, há também as doadoras de óvulos. Na Internet, pode-se encontrar sites onde mulheres se oferecem para doar óvulos. Cobrar para ser mãe de aluguel ou doar óvulos são procedimentos comuns no mundo da reprodução artificial, embora dificilmente se encontre quem abra o jogo sobre eles.

De acordo com o urologista, Carlos Alberto Monte Gobbo, da Clínica Endogin, o lado ruim do aumento do número de mulheres que procuram a Clínica para reprodução humana através de inseminação artificial, é a falta de uma estrutura familiar. "A mulher está tão independente, que quer ter filho, mas não pensa em casamento", disse.

O Hospital Einstein de São Paulo é quem fornece o sêmen para as bauruenses interessadas nessa técnica. Através do catálogo numerado, com uma lista extensa de características do doador, a mulher escolhe qual sêmen vai comprar. A partir desse momento, ela assina um documento solicitando o material. Estando disponível o sêmen, é feito um contrato onde a mulher se responsabiliza pelos termos ali especificados. Depois disso, o sêmen é trazido a Bauru para ser injetado no óvulo da paciente.

Clínica em São Paulo realiza pesquisa inédita de criação de óvulos em laboratório

Mulheres que não possuem óvulos ou cujos óvulos são de má qualidade têm chances reduzidas ou nenhuma probabilidade de gerar filhos. Uma pesquisa inédita, em andamento na Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih, em São Paulo, indica, no entanto, uma alteração nesse quadro, a partir da criação de óvulos em laboratório. O sucesso da experiência permitirá a formação de óvulos a partir de qualquer célula somática da paciente - superando, assim, a última barreira para os casais sem filhos, afirma o médico Roger Abdelmassih, diretor da Clínica e um dos mais importantes especialistas em reprodução humana.

A pesquisa é coordenada pelo médico húngaro Peter Nagy, diretor científico da Clínica Abdelmassih, e desenvolvida em parceria com o médico tcheco Jan Tesarik, também especialista em reprodução humana. Em março do ano passado, enquanto faziam experimentos na área de transferência de núcleos de células, os dois chegaram a um óvulo formado a partir de uma célula, a qual é somática (ou seja, diplóide, tem 46 pares de cromossomos) de uma paciente sem óvulos e do citoplasma de uma célula de uma doadora.

A experiência continuou: o óvulo foi fecundado pelo processo de fertilização in vitro. Em seguida, por questões éticas, o embrião foi congelado, pois é necessário pesquisar como a reprodução celular se processará antes de transferi-lo para o útero de uma paciente. Os estudos de Nagy e Tesarik prosseguiram e avançaram. Atualmente, está sendo desenvolvida na Clínica pesquisa semelhante com vacas, em parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP).

Nesse caso, o núcleo do óvulo de uma vaca (doadora) foi retirado, preservando-se o citoplasma. Em seguida, células cumulus (também diplóides, que envolvem um óvulo maduro) de outra vaca (matriz) foram injetadas em um citoplasma sem núcleo, formando-se um novo núcleo (diplóide). Em seguida, provocou-se a separação desse núcleo, deixando-se apenas 23 cromossomos (núcleo haplóide), ou seja, um óvulo perfeito que, em seguida, foi fertilizado por um espermatozóide de um boi doador.

Segundo Abdelmassih, houve formação de embrião e seu desenvolvimento foi acompanhado por 72 horas, mostrando o processo natural de divisão celular do animal e de seu desenvolvimento. Essa divisão é um grande indicador de que, se a experiência for realizada com gametas humanos, poderá chegar ao mesmo resultado, completa o especialista.

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