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Doença circulatória é a que mais mata

Redação
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De acordo com relatório do DSC, tumores foram a segunda maior causa de morte no Município, no ano passado

As doenças do aparelho circulatório foram as principais causas das mortes ocorridas em Bauru, no ano passado. As segunda e terceira causas, respectivamente, foram tumores e doenças do aparelho respiratório. A informação é do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde.

O Relatório do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) referente ao ano 2000 foi elaborado pelo DSC com base em atestados de óbito dos cartórios, além de informações complementares obtidas no Instituto Médico Legal de Bauru (IML), no Serviço de Verificação de Óbito e nas delegacias da cidade, de acordo com Maria Helena Abreu, diretora do DSC. O Sistema de Informação de Mortalidade é um sistema do Ministério da Saúde, que obriga todos os municípios a realizá-lo. Antes, quem fazia era o Estado, por meio da Fundação Seade. Aos poucos, esse serviço está sendo passado ao Município, como parte do convênio de municipalização, esclarece a diretora.

Do total de óbitos registrados em Bauru, em 2000, referentes a pessoas residentes no município - 1947 casos -, 705 tiveram como causa doenças do aparelho circulatório, como hipertensão, cardiopatias ou trombose, entre outras. Entre elas, o infarto agudo do miocárdio esteve em primeiro lugar, com 173 casos registrados. A quantidade coloca as doenças circulatórias como a principal causa das mortes ocorridas na cidade.

De acordo com o cardiologista Claudir Turra, as pessoas que apresentam características dos chamados fatores de risco estão mais propensas a desenvolver doenças do aparelho circulatório. Os principais fatores de risco são a hipertensão arterial sistêmica, que é a pressão alta; o diabetes; o tabagismo e a dislipidemia, que é o colesterol elevado.

Ele acrescenta que a prática de atividades físicas contribui na redução da pressão arterial, no controle do diabetes e no estímulo do sistema circulatório. O estilo de vida da pessoa é muito importante. Se ele tiver uma atividade física regular, não tiver vícios, como o cigarro e a bebida alcoólica em excesso, e tiver uma alimentação saudável - sem excesso de açúcar, sal ou gordura - ele com certeza vai viver um pouco mais do que ele viveria sem isso.

As heranças genéticas também são fatores importantes na determinação das doenças do aparelho circulatório. Se ele tiver um histórico familiar de pessoas que já tiveram infarto e derrame, a chance de ele ter é bem maior do que a população normal.

A orientação do cardiologista se faz no sentido de que as pessoas procurem orientação médica desde cedo, principalmente em casos de sintomas como cansaço e dores no peito.

O relatório elaborado pelo DSC indica que os tumores, ou seja, os diversos tipos de câncer, estiveram em segundo lugar entre as causas dos óbitos em Bauru, em 2000, com 275 casos. De acordo com o médico oncologista Juvenal Secco Júnior, os números de Bauru assemelham-se aos registrados em todo o País, em que o câncer também foi a segunda causa de óbitos.

O médico acrescenta que os números referentes ao Brasil indicam que os tipos de câncer que mais atingiram fatalmente os homens foram o de pulmão, seguido pelo de estômago e pelo de próstata. Nas mulheres, o relatório brasileiro indica o câncer de mama como o primeiro, seguido pelo de colo de útero e de estômago.

Secco Júnior afirma que o estilo de vida é uma forte influência na determinação da doença, principalmente no que diz respeito ao cigarro e à exposição aos raios solares. O câncer que mais aumenta no mundo, atualmente, é o melanoma, um tipo de câncer de pele, determinado pela exposição aos raios solares. Outro que também aumenta bastante é o de pulmão, principalmente pelo uso do tabaco, enfatiza.

O oncologista acrescenta que cerca de 70% dos tumores malignos, que podem levar à morte, são de fácil prevenção. Dos cânceres que nós podemos prevenir, 40% são causados pelo tabaco, 10% pela exposição aos raios solares, 10% pela ingestão de álcool e 10% por vírus e bactérias, como o HPV, que provoca o câncer ginecológico. A prevenção seria reduzir o uso do fumo, do álcool, da exposição ao sol, aliados a exames de prevenção ao colo de útero, de próstata e de detecção precoce do câncer de mama.

Secco Júnior acrescenta que o paciente deve procurar orientação médica assim que apresentar os primeiros sintomas, principalmente feridas que não cicatrizam, caroços no corpo e sangramentos por via oral, vaginal ou retal.

As doenças do aparelho respiratório foram registradas como a terceira causa que mais provocou mortes em Bauru, no ano passado, com 237 casos. Maria Helena acredita que o atendimento imediato nos Pronto-Socorros e núcleos de saúde da cidade impedem que esse número aumente. As doenças do aparelho respiratório são a primeira causa de atendimento na rede pública de saúde - tanto nos núcleos de saúde quando nos Pronto-Socorros. Por que as pessoas não morrem? Primeiro, porque têm um atendimento imediato, já que é uma doença aguda e acomete muitas crianças. Mas algumas pessoas evoluem para doenças crônicas, principalmente os fumantes, que acabam morrendo em função disso, expõe.

De acordo com o médico pneumologista Arnaldo Santanna, as doenças do aparelho respiratório que causam mais mortes, como pneumonia, bronquite asmática e outras inflamações, são aquelas determinadas pelo uso do tabaco.

Santanna afirma que as pessoas mais sensíveis a essas doenças são os idosos e as crianças. O relatório do DSC confirma a informação, já que 42% das mortes por doenças do aparelho respiratório foram de pessoas com mais de 74 anos.

Ele acrescenta que muitas pessoas costumam procurar o médico apenas em casos extremos, quando os sintomas indicam gravidade. Tudo se resume em cuidados. Com mudanças de temperatura, normalmente as doenças começam à noite e as pessoas não tomam precauções. As pessoas deixam tudo por conta do remédio indicado pelo farmacêutico ou receitas caseiras. Tem uma parte que o remédio faz. Mas a outra parte o doente tem que fazer. Se ele não faz a parte ele, o remédio não dá muito resultado, orienta o médico.

A quarta maior causa dos óbitos registrados em Bauru, no ano passado, são as causas externas, como atropelamentos, quedas, queimaduras e homicídio, entre outras, totalizando 153 mortes, entre as 1947 da somatória geral.

De acordo com Maria Helena Abreu, esse número é considerado alto, ainda que seja inferior aos valores encontrados em cidades maiores. Eu diria que já é preocupante. Nas cidades maiores, as causas externas representam segunda ou terceira causa de morte. Bauru ainda não está neste estágio. Mas, se o trânsito continuar caótico como está e os motoristas pouco conscientes como são, não respeitando as normas de trânsito, nós, certamente, não vamos demorar muito para chegar a esse perfil das cidades grandes, calcula.

Ainda no que concerne às causas externas, os homicídios representam 69,6% das causas de morte; os acidentes, 17,6% e os suicídios, 12,8%.

Entre as doenças de notificação compulsória, ou seja, doenças transmissíveis, em que o paciente é obrigado a comunicar a Vigilância Epidemiológica, as complicações decorrentes do HIV representam 50% dos casos.

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