Antecipando-se
Além de tudo o que já foi mostrado na edição de ontem do JC, outra grande questão surgida no dia de ontem foi o fato de a empresa vencedora do convite para o fornecimento das refeições para a Prefeitura de Bauru afirmar que só soube o resultado na quarta-feira, dia 28, enquanto que no prédio onde vai atuar, em Bauru, as obras já estavam em andamento em data anterior.
Mãos à obra
Vizinhos do galpão afirmaram que a movimentação das obras no local começou há mais de 10 dias, enquanto que funcionários da empresa informaram que começaram a trazer equipamentos para cá no início da semana. Operários da mesma obra também afirmaram estar trabalhando ali antes do dia 28.
Contatos
Apesar de ser domingo e o DAE não funcionar, a autarquia foi intensamente procurada ontem por gente do Executivo, preocupada com o preço da refeição de lá. Aliás, um ex-funcionário sugeriu que fosse feito um levantamento do preço da comida no órgão nos últimos anos.
Concorrência
Se o problema da cozinha não ocorreu do dia para noite, se deu tempo de fazer laudos, de pesquisar junto aos servidores, de agendar reunião na Câmara, não teria sido melhor fazer uma concorrência pública, mesmo que o processo demorasse um pouco mais?
Reforma da cozinha
Se uma empresa sem clientes e sem atuação anterior em Bauru e região consegue fazer uma cozinha que atende aos padrões exigidos pela Prefeitura em tão pouco tempo, por que não se reformou a atual cozinha no Caic, dando-lhe as condições básicas e mínimas de funcionamento provisório, para depois se tomar as demais providências necessárias, no tempo devido.
Cidade comenta
A perplexidade e a indignação continuam sendo os sentimentos predominantes com relação à atitude e à forma que a Administração encontrou para terceirizar, de afogadilho, a produção das refeições dos servidores. Apesar das manifestações do Executivo, na edição de hoje, ainda não há explicações convincentes.
Irredutível
Por outro lado, nem mesmo todas as manifestações anteriores e posteriores à divulgação da medida, contrárias à forma com que o assunto vem sendo conduzido, foram suficientes para o prefeito admitir a hipótese do cancelamento desse contrato. Se fosse aberta uma concorrência, os servidores teriam que se servir do refeitório como ele está por mais algumas semanas, apenas.
Indiferença
Além dos gastos serem considerados superiores inclusive à média do varejo das refeições do tipo marmitex praticadas nos restaurantes bauruenses, o que se vê é a indiferença da Administração aos alertas do próprio sindicato da categoria, que o prefeito insiste em desconsiderar, apesar de já ter sido sindicalista.
Dia nervoso
Com tudo isso, dá para prever um dia cheio e nervoso hoje nos palácios das Cerejeiras e da Praça Dom Pedro II (Câmara Municipal). Na manhã desta segunda-feira, muitas reuniões se seguirão, tanto em um local quanto em outro. Como diz o sábio ditado: o preço da democracia é a eterna vigilância.