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Vera Cruz fica sem único hospital

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de tomar conta do hospital por quatro anos, Unimar desativa unidade alegando prejuízos de R$ 1,3 milhão por ano

Vera Cruz - Os 11 mil habitantes de Vera Cruz perderam, nesta semana, seu único hospital. A Universidade de Marília (Unimar), que dirigiu a instituição nos últimos quatro anos, desativou o Hospital Universitário II Akira Nakadaira, alegando, entre outras coisas, um prejuízo anual de quase R$ 1,3 milhão. Os atendimentos na cidade passam a ser feitos pela Unidade Básica de Saúde (UBS) e os pacientes em estado grave têm que ser encaminhados para Marília, que fica a 12 km de Vera Cruz.

A situação coloca a Prefeitura Municipal em estado de alerta, obrigando a criação imediata de um pronto-socorro para atendimento 24 horas. As providências para isso estão sendo tomadas em caráter emergencial, mobilizando, inclusive, o Governo do Estado e o Ministério da Saúde.

De acordo com o prefeito municipal, Antonio Rodolfo Devito (PSDB), o hospital foi construído graças à uma campanha que mobilizou toda a população. Foram quase dez anos organizando bingos, rifas e quermesses, além de doações de fazendeiros da região. A obra foi concluída 1946. No mesmo ano, foi criada a Associação São Vicente de Paulo, entidade filantrópica que passou à condição de mantenedora do hospital.

Até que, em 1997, vivendo uma crise financeira, com uma dívida que beirava os R$ 500 mil, a Associação fez um contrato com a Universidade de Marília, que assumiu o prédio. Na época, a Unimar precisava ter um hospital-escola para que seu curso de Medicina fosse aprovado. A reitoria, então, reformou, equipou e modernizou todo o prédio, além de saldar a dívida da Associação. Em contrapartida, a população ganhava mais qualidade no atendimento de saúde.

Transferência

Enquanto isso, porém, a Unimar providenciava a construção de um prédio próprio, que abrigaria o Hospital Universitário I, em Marília. De acordo com o pró-reitor da Universidade, Nery Aguiar Porchia, esta obra foi concluída no segundo semestre do ano passado, com uma estrutura comparável à dos hospitais de primeiro mundo.

Os alunos que faziam estágio em Vera Cruz passaram a fazer no Hospital Universitário de Marília. Afinal, foi construído um hospital de R$ 50 milhões, que oferece desde exames básicos até a ressonância magnética. Não justificaria os alunos continuarem em Vera Cruz, onde não havia todos os recursos necessários, disse Porchia.

Segundo ele, com o funcionamento do novo hospital, a unidade de Vera Cruz passava a dar prejuízo à Universidade. No ano passado, tivemos uma despesa de R$ 1,5 milhão com o hospital de Vera Cruz. O Sistema Único de Saúde (SUS) pagou R$ 210 mil e o restante ficou de déficit para a Universidade, disse.

O pró-reitor ressaltou que, desde janeiro deste ano, cerca de 70% dos pacientes de Vera Cruz que necessitavam de internação hospitalar já vinham sendo encaminhados para Marília. A tendência, segundo Porchia, seria manter apenas o atendimento ambulatorial no hospital de Vera Cruz, remetendo os casos mais sérios para Marília.

Estaríamos apenas subsidiando uma ação que é dever da Prefeitura, que é o atendimento primário de saúde. E isso, a cidade já tem na UBS. Independente disso, a Unimar continuará prestando, em Marília, toda a assistência a pacientes de Vera Cruz que necessitem de atendimento complexo ou exames seletivos. Sem qualquer ônus para a Prefeitura, como já fazemos com outros municípios da região, comentou Porchia.

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