A Prefeitura de São Paulo adotou, nos últimos dias, o Programa Marmitex a R$ 1,00. Essas refeições, é bom explicar, nada têm a ver com seu quadro de trabalhadores. São destinadas, em sua maioria, a desempregados, catadores de papéis, mendigos e outros esquecidos pela sorte, temporariamente ou em definitivo.
É plausível acreditar que havendo um entendimento harmonioso entre Igreja Católica, algumas evangélicas, centros espíritas, associações, clubes de serviço, entre outros, poder-se-ia produzir refeições a R$ 0,50. Com doações de alimentos, trabalho voluntário (gratuito) pelo sistema de rodízio, de cozinheiras, auxiliares, balconistas, quem haverá de negar que isto seria possível? Com essa quantia quase insignificante, praticamente todos os carentes (alguns, mesmo assim, teriam que receber o apoio de um benemérito) teriam garantido o seu arroz, feijão, batata e um ovo frito.
Portanto, preços de marmitex têm uma variação muito grande e dependem muito de quem compra, sua situação, seus recursos e onde compra. Em Bauru, pode-se comprar esse tipo de refeição na faixa de R$ 1,50 a R$ 5,00. Há estabelecimentos com a residência do proprietário anexa, onde, ao preparar a refeição diária da família, a dona de casa já o faz com a quantidade adicional calculada segundo a freguesia do marido. Caso não produza para o comércio, o trabalho é praticamente o mesmo. Daí temos refeições que, dentro desse parâmetro de preços já citados, vão de A a Z e podem conter, dependendo do preço, os melhores filés, as partes mais nobres do frango, peixes, saladas e sobremesa. Na outra ponta da tabela, um ovinho frito e uns pedacinhos de chuchu. Quase tudo isso retirado no balcão. Transporte, entrega, aí já é outra conversa.
Portanto, falar de preços sem conhecimento de causa, sem conhecer o metier, os pormenores, chega a ser uma leviandade. As empresas especializadas nesse tipo de trabalho, a cada 500 refeições fornecidas devem contratar uma nutricionista. Produz diariamente 2.000 marmitex? São quatro nutricionistas. Como se sabe, são profissionais de nível universitário a cada dia mais necessários em nosso mundo. E que precisam receber pelo seu importante trabalho, claro.
Ao decidir mudar o sistema de refeição dos servidores públicos municipais, após tomar conhecimento, através do secretário da Administração, da precariedade em que isso se encontrava, o prefeito Nilson Costa não pretendeu trocar seis por meia-dúzia. As reclamações relacionadas à pobreza do cardápio há tempos vinham crescendo na Prefeitura. As refeições eram feitas no distante Caic, que não pertence à Prefeitura. Imaginou o prefeito que, não fosse para melhorar, então que se deixasse tudo como estava. Optou pela ação, pela melhoria, pelo benefício. E Nilson Costa estava e está disposto a provocar um grande salto de qualidade nessa área.
Com todo respeito ao programa adotado na Capital e o outro hipotético citados no início desta carta, uma quase esmola, não é o que foi citado ali que o prefeito pretende oferecer ao funcionalismo aqui em Bauru. Inicialmente, buscou-se uma alternativa para essa questão, mas no momento em que a lisura da contratação foi questionada, Nilson Costa recusou-se incontinenti a assinar o contrato. O chefe do Executivo, entretanto, estava e está determinado a respeitar aqueles que realizam os trabalhos do Município, começando por oferecer uma alimentação adequada, balanceada e com as melhores condições nutritivas.
Afinal, o servidor é o maior patrimônio da Prefeitura! (Não são as instituições que fazem os homens, mas os homens é que fazem a grandeza das instituições- Abraham Lincoln - e Trabalhadores, não sois máquinas, homens é que sois - Charles Chaplin). É hora do próprio servidor vir a público e dizer o que lhe é mais conveniente, pois outro que não vai comer pode decidir por ele.
Portanto, o que está em jogo neste momento é o que iremos oferecer aos servidores, de maneira honesta, lícita e da melhor qualidade. Para o prefeito, que é da área de benemerência, assistência social, com todo respeito, mas neste caso a questão é de justiça, merecimento e não deve ser de esmola. ((*)Assessoria de Imprensa da Prefeitura)