Geral

O compromisso

(*) Rosane L. P. Pamplona.
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Na longínqua Idade Média, viva, na cidade de Toledo, na Espanha, um homem que queria ser muito poderoso. Grandes qualidades ele não tinha, tampouco dinheiro ou inteligência; mesmo assim, achava que merecia ser mais importante que todos e sonhava com uma vida gloriosa.

Um dia, ele ouviu falar de um mago, um feiticeiro muito especial, que podia atender ao seu pedido. Esse mago morava longe, na cidade de Veneza, mas o homem nem hesitou: cavalgou noite e dia sem parar até chegar à bela cidade italiana e, sem perder tempo, dirigiu-se ao endereço que lhe haviam dado. Era um casarão abandonado, ao lado de um canal muito sujo. Ele entrou e não viu ninguém, somente uma escada que descia a um porão. Cauteloso, desceu alguns degraus e pôde ver, lá embaixo, sentado a uma mesa, um velho de longas barbas brancas, debruçado sobre um imenso livro de feitiçarias, iluminado por duas velas. O velho, pressentindo sua presença, sem nem levantar a cabeça, exclamou:

- Venha, meu filho, sente-se aqui, neste banquinho. Você viajou de Toledo até aqui, deve ter algo importante a pedir-me!

Estimulado por aquelas palavras, o homem desceu, sentou-se no banquinho à frente do mago e confessou-lhe todos os seus sonhos de poder e glória.

O feiticeiro ouviu-o pacientemente e afirmou:

Ora, esse seu pedido é dos mais fáceis. Eu posso torná-lo mais poderoso do que imagina, mas, é claro, para que seu sonho se realize, há uma condição.

Alvoroçado, o homem adiantou-lhe que estava disposto a tudo, que tudo lhe daria quando se tornasse poderoso, ouro, prata, era só pedir.

O feiticeiro, muito sério, assim respondeu:

- Já que é assim, eu quero que você me traga, daqui a um ano, um leitão assado.

- Um leitão assado? O senhor é louco? Eu lhe ofereço riquezas, ouro, e tudo o que me pede é um mísero e ridículo leitão assado?

- Bem - explicou o mago -, ouro, jóias, isso não me interessa realmente; eu poderia tê-los na hora em que quisessse. Um leitão assado, no entanto, é algo que nunca comi e tenho muita vontade de experimentar. Mas veja bem: você mesmo deve prepará-lo e trazê-lo até aqui, pessoalmente, daqui a exatamente um ano. Você concorda?

- Concordo, é claro! respondeu ele.

(*)Rosane L. P. Pamplona. Ela contou mais uma história popular que faz a gente pensar antes de agir. Desta vez, é um conto árabe muito curioso. Vamos publicá-lo em duas partes. leia e acompanhe a história de um homem que gostaria de ficar muito, mas muito importante.

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