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Peixes em ação

Celso Jesus da Silva*
| Tempo de leitura: 5 min

Acredita-se que, com o escurecer, os peixes diminuem gradativamente a sua atividade, o que em parte é verdade, pois também eles descansam. Mas acreditar que a paralisação é total, será desconhecer a atividade das espécies pois, mesmo neste período, muitas delas mantêm-se em busca de alimento, sem contar as espécies noturnas propriamente ditas, como os peixes de couro, que têm neste momento a sua maior atividade.

O pescador que desejar descobrir os prazeres que a pescaria noturna propicia, poderá também preparar-se para as espécies de escamas, como veremos a seguir.

Momentos mágicos

Embora a pesca praticada durante o dia possa ser mais numerosa, à noite estão presentes um dos principais elementos que a pescaria possui, que é a magia dos momentos de comunhão com a natureza. O pescador sente-se muito mais parte integrante do universo, ao ver a lua surgindo, iluminando a mata e as águas, o silêncio quase completo da atmosfera que o envolve, a visão das estrelas, o piar dos curiangos, sem contar com o aprimoramento de sua visão pois, com a dilatação das pupilas, enxerga-se muito mais à noite do que durante o dia, e é muito interessante descobrir com os olhos os inúmeros efeitos que acontecem na mata.

Se esta atmosfera for completada por um cardume ativo, melhor ainda, pois aí a comunhão estará perfeita.

Preparo e cuidado

Pescar à noite significa estar num ambiente diferente, com características diferentes e com procedimentos diferentes. Assim, quem deseja pescar à noite, deverá obrigatoriamente conhecer o local da pesca, tarefa feita durante o dia, determinar os limites de atuação, preparar-se e eliminar as possibilidades de acidentes, etc.

Deverá também ter um lampião a gás ou um bom farolete, pois fazer fogueiras na mata, além de proibido por lei, pode trazer sérios aborrecimentos e conseqüências, como uma queimada, por exemplo.

Observando o local durante o dia, é prudente eliminar as moitas que podem servir de abrigo para animais peçonhentos como cobras e escorpiões. Lembre-se de que à noite cai sereno, por isso, o uso de chapéus ou bonés é recomendado para livrar o pescador destas precipitações. Caso contrário, no dia seguinte o pescador vai sentir os efeitos do sereno, muito provavelmente adquirindo um resfriado ou uma boa dor de cabeça.

O uso de botas é também necessário, principalmente para evitar o risco de picadas de cobras, porque, afinal, é o momento delas caçarem principalmente ratos e sapos, comuns à noite.

O pescador é alvo das cobras quando está rente ao barranco, como as jararacas, e também quando está em pedreiras, como as cascavéis, por exemplo.

Iluminar o local

Quando recomendamos o uso de lampião à gás, assim o fazemos porque o acessório fornece uma luz intensa, que não deve incidir sobre as águas. Para iluminar bem o local e evitar que o poço também fique claro, basta fixar um anteparo no lampião para evitar a fuga da claridade.

Quem não tiver o apetrecho, pode valer-se de um farolete ou mesmo de uma vela, sendo absolutamente necessário que ela esteja protegida dentro de uma luminária com vidro. Quem dispuser do conforto de ter uma área iluminada por energia elétrica, deve ater-se ao fato de que é prudente não iluminar também a água, pois isto confunde o peixe, ao ponto de levá-lo a não expor-se e, por conseqüência, a não atacar a isca.

Os peixes da noite

Como narramos no início da matéria, os peixes de couro são os mais fáceis de fisgar durante a noite. Apesar disto, é possível pescar os peixes de escamas, tais como os piauçus, pacus, matrinxãs e curimbatás. Raramente um dourado fisgará à noite, embora em pescaria tudo é possível.

Algumas táticas

Para ter mais sucesso na pescaria noturna, o pescador deve tomar alguns cuidados, pois os peixes, ao perderem a noção de profundidade, devido à escuridão, mudam de certo modo o seu comportamento. Os piauçus, por exemplo, serão melhor fisgados quase rente à superfície, sempre junto ao barranco ou tranqueiras. O mesmo dá-se com os lambaris, que são pegos a um palmo abaixo da superfície. Os curimbatás devem ser pescados em poços ainda mais parados, e com a linha na vertical pois, se ela estiver estendida no chão, raramente vão atacá-la. Para os pacus é interessante usar as iscas feitas com grãos de milho, previamente cozido e amaciado, já que o uso de massas ou queijo fará o banquete das piranhas, principalmente durante as luas cheia e minguante.

Quem já pescou corvinas à noite descobriu que esta espécie sobe do fundo do rio, situando-se entre um e quatro metros abaixo da superfície. Quanto mais tarde, mais sobe. Na alta madrugada é comum pescá-las na flor dágua. Uma das explicações para tantas mudanças é o fato de, na superfície, estarem as incontáveis mariposas e demais insetos que caem na água.

Agora é só pescar

Quem nunca pescou durante a noite deve experimentar. Quem já o faz, precisa variar as iscas, utilizando desde a minhoca até o fígado e a sardinha. Para os peixes predadores, pequenos lambaris e pitus são os que fazem a diferença.

Desejamos que você tenha cuidado e que descubra mais este prazer que a natureza nos reserva no segundo tempo de um dia.

* Celso Jesus da Silva é membro da Int. Game Fish Association (IGFA) / Especial para o JC

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