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PATRÍCIA

Sylvanira Bramante
| Tempo de leitura: 2 min

Nós nos tornamos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos.

Por dois anos seguidos eu a encontrei na sala de aula, quase nunca sentada, mas sempre cantando. Não era muito boa aluna de Português, mas devia ser ótima de Música, pois tinha uma facilidade incrível para guardar os ritmos e as letras das músicas. Dizia sempre que a música era sua paixão e que sem ela não poderia sobreviver.

Por ter sido sua madrinha de formatura de 8.ª série, ela continuava a me considerar madrinha, até porque dizia que eu ainda iria crismá-la.

A vida nos separou por uns tempos, quando ela foi para São Paulo trabalhar num banco e ao retornar a Bauru, depois de 10 anos, fez contato conosco e novamente nos adotou como sua segunda família.

Era alegre, animada, participativa, gostava de reunir as pessoas, preparava tudo, organizava os churrascos e cuidava de todos os detalhes - ninguém precisava se preocupar com nada - ela providenciava tudo...

Gostava tanto de cozinhar, como gostava de cantar - tinha todos os CDs, ia a todos os shows, cantava todas as músicas.

Essa sensibilidade e a facilidade de memorizar as letras nos permitiam dizer-lhe sempre que estava no caminho errado - seu negócio era a música.

A moto aconteceu na sua vida por uma necessidade. Havia arrumado emprego em uma loja, onde ficou por um ano e para facilitar alguns serviços, precisou adquirir a moto. Após alguns meses, ao sair desse emprego, se viu desempregada, com uma moto boa nas mãos e as prestações para pagar. Daí a ser mototaxista foi um passo.

Sua figura nem de longe correspondia com o apelido que um dos meus filhos lhe deu - neném. Ao vê-la, imediatamente ele dizia: - E aí, neném? E era visível como ela se sentia comovida com esse tratamento, tal a dose de amizade e carinho que ele encerrava.

Para nós, fica a imagem que ela sempre nos passou: alegre, cheia de vida, prestativa, disposta e, principalmente, amiga. É essa imagem que fazemos questão de guardar: a companheira de todas as horas e para todas as coisas. Todos os que desfrutavam de seu convívio sabiam que podiam contar com ela, só não poderíamos supor que a vida lhe reservava tal armadilha... (Velha - Sylvanira Bramante - RG: 2.935.577)

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