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Biodiversidade em perigo

(*) Rosemari Aparecida de Abreu
| Tempo de leitura: 3 min

A destruição ou alteração, em todo mundo, de diferentes ecossistemas é hoje uma séria ameaça à sobrevivência de grande número de seres vivos. Apesar das advertências e dos esforços dos cientistas e entidades conservacionistas, o desaparecimento de plantas e animais, alguns ainda desconhecidos, é contínuo, um exemplo é o íbis japonês, ave símbolo doJapão, extinta em 1996. O risco de extinção é maior no caso de espécies que apresentam, nas últimas décadas, redução constante de suas populações. Mas há dúvidas quanto ao número de animais em real perigo de extinção.

Os animais que correm o risco de desaparecer têm várias características em comum. Em geral, estão restritos a certas localidades geográficas (são endêmicos), têm pequeno porte e são muito ligados ao ambiente físico, não podendo sobreviver e se reproduzir em outros locais. Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) há no mundo inteiro 5.011espécies de animais em perigo de extinção, sendo 2.250 espécies de invertebrados, 1.047 de aves, 762 de peixes, 698 de mamíferos, 191 de répteis e 63 de anfíbios. No Brasil, a IUCN registra 310 espécies em risco de extinção, o que corresponde a 6,2% do total dos animais ameaçados em todo o mundo. Já para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), só existem 207 espécies de animais em perigo de extinção no País (4,1% da fauna mundial ameaçada). A diferença pode ser atribuída a diferentes critérios de avaliação do risco, mas ambas as listas podem ser incompletas.

Alguém poderia perguntar: para que servem, por exemplo, os insetos? Na verdade , eles são fundamentais, fato confirmado por inúmeros exemplos. Sem insetos não haveria colheitas de certos frutos ou outros produtos agrícolas, porque eles são um dos principais agentes polinizadores de plantas na natureza. Os insetos são importantes na cadeia alimentar, como parte da dieta de outros animais.

Insetos sociais, em especial formigas e cupins, são responsáveis pela formação dos solos em ambientes tropicais. Alguns insetos sociais, como a saúva e o cupim-de-murundu são espécies importantes, está comprovado que mais de 200 outras espécies de vertebrados e invertebrados dependem desses insetos para sobreviver. Não se sabe quantas espécies importantes existem. Essas espécies ampliam e mantêm a biodiversidade, e , portanto, a perda de poucas delas pode multiplicar a destruição da biodiversidade regional e nacional.

A biodiversidade é sem dúvida a grande questão ambiental da atualidade. Sem ela não há engenharia genética, nem síntese de novos compostos farmacêuticos ou novas fontes de alimento, vegetais e animais não é um modismo, mas uma necessidade. O que é perdido hoje não volta mais. Não é preciso ser geógrafo, nem biólogo para se dar conta do estrago que o homem faz no meio em que vive, nem tampouco é preciso ser entendido no assunto para ficar indignado com o fato de como seria simples preservar o Planeta, contribuindo para que a grande maioria das espécies encontrasse seu espaço para se reproduzir e se desenvolver. Todos somos responsáveis pela manutenção da vida e se tomarmos consciência, neste texto está escrita alguma coisa a respeito o que podemos evitar para melhoria do meio ambiente.

(*) A autora, Rosemari Aparecida de Abreu, é pedagoga e geógrafa

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