Geral

Carpa cabeçuda

(*) José Carlos
| Tempo de leitura: 1 min

Estava eu pescando, num domingo meio chuvoso, já bastante desanimado, pois os peixes grandes não estavam nem aí. Eis que, de repente, uma vara bastante forte, que estava armada com chuveirinho, próprio para as ditas carpas, teve sua bóia bruscamente afundada, provocando uma tremenda envergadura na vara, era a tão esperada carpa. Comecei o trabalho de recolhe-la, já se percebia que ela deveria ter acima de 10 Kg.

Foi, por mais de hora, uma forte briga, mas assim mesmo consegui trazê-la até a beira do barranco quando, de repente, o celular que estava no bolso da camisa começou a tocar. Na ânsia de segurar o peixe e ao mesmo tempo atender o telefone, aconteceu o inevitável, o celular foi parar na água no exato momento em que o peixe tentava desesperadamente fugir, dando repetidas cabeçadas na água e mergulhando fundo, tentando escapar.

Esquecendo do celular, voltei à briga com o peixe, que com muito sacrifício consegui tirá-lo. Surpresa, quando o bicho estava fora da água, comecei a ouvir de dentro de sua barrigada o mesmo som de chamada de meu celular, ato contínuo, peguei uma faca, abri sua barriga e qual não foi minha surpresa ao deparar com o telefone tocando. Peguei-o imediatamente e ainda deu tempo de falar com minha filha que me ligava do Interior.

José Carlos é pescador, contador de histórias e mora em São Paulo

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