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Portugal atrai dentistas brasileiros

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A estimativa é que 10% dos dentistas que atuam em Portugal são brasileiros. Reitores portugueses visitaram a FOB

Cerca de 10% dos dentistas que trabalham em Portugal são brasileiros. A informação é do diretor e fundador da faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, Armando Simões dos Santos, que esteve em Bauru, ontem, juntamente com o reitor da Universidade de Aveiro, Virgílio Meira Soares, e o ex-reitor da Universidade de Lisboa, Júlio Pedrosa.

Os profissionais estiveram em Bauru visitando a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP), com o objetivo de conhecer o sistema de pós-graduação da faculdade, visando a implantação destes cursos em Portugal. Viemos para obter alguma informação relevante para um estudo que deve ser feito sobre a viabilidade de criar uma nova escola de Medicina Dentária, ligada à Universidade de Aveiro. A escola terá como objetivo fundamental a pesquisa e a pós-graduação. Bauru é um caso exemplar de uma bem sucedida e reconhecida escola de pós-graduação e pesquisa nesta área, esclareceu Pedrosa.

De acordo com Santos, o número aproximado de dentistas brasileiros que trabalham em Portugal é obtido pela quantidade de profissionais que dirigem-se às faculdades portuguesas para conseguir as equivalências dos diplomas brasileiros no país, com a finalidade de exercer legalmente a profissão. Neste último apanhado para atualização de dados, nós contamos trezentos e poucos brasileiros. Os dentistas portugueses são 3.500. Portanto, como já havia outros dentistas brasileiros, a porcentagem está em torno de 10%. Talvez seja um pouco mais, porque nós só sabemos daqueles que vão às faculdades pedir equivalência de seus títulos acadêmicos, disse.

A necessidade de obter a equivalência dos documentos brasileiros é uma exigência da Ordem dos Médicos Dentistas de Portugal, segundo informou o fundador da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa. Hoje, eles estão mais obrigados a pedir equivalência de seus títulos acadêmicos porque há uma Ordem dos Médicos Dentistas que está mais eficaz e controla praticamente todos os profissionais que, em Portugal, exercem a Medicina Dentária, afirmou.

Para conseguir a equivalência dos documentos, muitas vezes há a necessidade de passar por uma avaliação nas faculdades de Medicina Dentária do país, devido às diferenças curriculares. Em Portugal, o curso tem duração de seis anos, em média, sendo que os dois primeiros anos são uma introdução à Medicina. No Brasil, a média de duração dos cursos é de 4 a 5 anos. O diretor alega que, apesar dos currículos estarem cada vez mais semelhantes, ainda há algumas divergências. Algumas disciplinas são muito díspares das que aqui existem, porque o curso é mais extenso e nós temos algumas áreas que sequer existem aqui. As diferenças há 15 anos eram muito grandes não só na dimensão do curso, como nos conteúdos programáticos. Hoje, as diferenças estão cada vez menores. Por um lado, nós simplificamos, e por outro lado, aqui está se estendendo, expôs.

O número dos profissionais brasileiros que exercem a Odontologia em Portugal tem se mantido constante, de acordo com Santos. Apesar disso, os profissionais portugueses, atualmente, não consideram a presença dos dentistas brasileiros uma ameaça ao mercado de trabalho, segundo o diretor. As coisas não são como há oito ou nove anos, quando houve uma grande corrente migratória dos dentistas brasileiros para Portugal e os portugueses ficaram muito preocupados. Não era uma ameaça quanto ao mercado de trabalho. Era uma ameaça no sentido de desnível curricular. Agora, estamos mais equilibrados também neste sentido, acrescentou Santos.

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