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A voz delicada de Ceumar

Redação
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Cantora mineira radicada em São Paulo mostra em Bauru seu mais recente trabalho, Dindinha

A cantora e violonista Ceumar se apresenta amanhã, a partir das 21 horas, no Sesc Bauru. A mineira vem com o show Dindinha, depois de percorrer espaços no Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Maranhão, São Paulo e Minas Gerais, além de ter se apresentado na China, no 1.º Festival Brasileiro de Artes de Hong Kong.

No repertório, destaque para Dindinha (Zeca Baleiro), Olha pro Céu (Luiz Gonzaga e José Fernandes), Banzo (Itamar Assumpção), Let It Grow (M. Dunford e B. Thatcher) e Rãzinha Blues (Loni Rosa), esta última, fez muito sucesso em shows que a cantora abriu para Zeca Baleiro, produtor do disco.

Ceumar, atualmente radicada em São Paulo, nasceu em Itanhandu, sul de Minas, em 1969. Estudou piano, canto e teoria musical, mas escolheu o violão como instrumento.

A partir dele imprime sua marca, seus arranjos e suas idéias musicais. O CD Dindinha, lançado em janeiro do ano passado, tem sido bem recebido por revelar boa unidade sonora e estética num trabalho de estréia. Além disso, já chegou a diversos países e está inserido na coletânea Brasil Acoustic, do selo inglês Nascente.

Serviço

Ceumar faz show amanhã, 21h, no Sesc. R$ 4,00 e R$2,00 (matriculados, estudantes com comprovante e pessoas acima de 65 anos). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

A voz da delicadeza

"O primeiro show que Ceumar apresentou na vida se chamava 30 Músicas que Você Não Ouve no Rádio, onde ela cantava Gigliolla Cinquetti e Barca do Sol entre temas instrumentais que ela vocalizava se acompanhando ao violão.

Mas antes disso rolou muita água. Nascida numa casa extremamente musical, desde cedo Ceumar acostumou-se a ouvir as canções que seu pai seresteiro cantava.

Foi no violão elétrico do pai, o primeiro da região, que Ceumar aprendeu a tocar as primeiras canções. Antes ela até que ensaiou alguns passos no velho piano da casa, mas não se sentiu à vontade, pois, seu fascínio foi, desde sempre, a música popular, a canção, como as que ela ouvia no rádio.

Daí pra noite foi um pulo. Primeiro em Belo Horizonte, depois em Itajubá, cidade vizinha à sua e de grande efervescência musical. Clara Nunes, Joni Mitchel, Toninho Horta, Joyce. Tudo isso Ceumar tocava com desenvoltura nos bares por onde passava, ao mesmo tempo em que descobria outros sons, como o jazz.

Depois experimentou fazer backing vocal para compositores que surgiam na época, gravou jingles, ganhou festivais. Uma rápida passagem por Salvador e cá estava Ceumar em São Paulo.

Corria o ano de 1995. Atraída pela música paulista dos anos 80, ela resolveu conferir de perto e acabou achando seu destino. Fez novos parceiros, conheceu cantores, compositores, músicos, e aprendeu com as diferenças. Dindinha, o CD, faz percurso de toda essa estrada e um pouca mais. Feito quase artesanalmente, com um baixo orçamento e colaboração de vários amigos músicos, é um disco de concepção sonora simples, direta e transparente.

É um CD quase inteiramente acústico. Tem baixo elétrico e só. Nada de teclado nem bateria. Só piano acústico e uma percussão sóbria, que realça as nuances dos arranjos, mas não se sobressai à canção.

No mais, rabecas, violinos, bandolins e muitos vocais e violões com afinações variadas, que dão o norte do CD. Sem floreios, seco, direto e inventivo.

Dindinha tem um pé no interior e outro na cidade, é brejeiro mas incisivo, elaborado e acessível, embora não esteja sujeito aos modismos da estação. Visceral à sua maneira. Ceumar veio pra inscrever seu nome na tábua de esmeralda da música popular brasileira". (Zeca Baleiro)

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