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Filhos entram na rotina dos pais nas férias

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Nem todos os estudantes têm a oportunidade de viajar ou ficar se divertindo a tarde inteira no período de férias. Muitos são obrigados a acompanhar os pais no trabalho, enquanto outros, por pura falta de opção, entram na rotina deles por livre escolha.

Poder dormir até mais tarde e brincar a tarde toda passa a ser rotina de muitas crianças e adolescentes no período de férias, mas a regra não vale para todos. Para milhares de pais que trabalham fora e têm a escola como um braço direito no cuidado diário da criançada, o recesso exige adaptações de emergência e compreensão por parte daqueles que mereciam apenas o descanso e diversão.

A sindicalista Eliane Koti, 36 anos, agradece o tempo em que os filhos, Guilherme, 9 anos, e Mayra, 3, passam na escola. É um período a menos para eu me preocupar com eles, admite. Nas férias, porém, não há como contornar a situação. Os dois pequenos têm que acompanhá-la nas tarefas do sindicato.

As férias deste meio de ano, porém, coincidiram com a greve liderada pelo sindicato no qual Eliane é militante ativa, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) - a paralisação terminou na última quinta-feira. Resultado: as crianças passaram a participar dioturnamente dos protestos. Para não judiar muito, eu deixo eles dormindo pela manhã - durante a greve, o horário de despertar não passava das 5 horas - e meu marido os traz depois, quando vai para o serviço. O resto do dia eles estão ficando aqui, enfrentando os improvisos. Na semana passada, teve um dia em que ficamos até as dez da noite; o Guilherme agüentou, mas a Mayra dormiu. Mas não tem outro jeito: ou ficam comigo ou sozinhos, argumentou. Nem de longe insatisfeitos com a situação, os filhos da sindicalista pareciam se divertir em meio aos manifestos, com direitos a gritos no microfone e a invenção de palavras de ordem.

Ao contrário de Guilherme e Mayra, Vanessa, 11 anos, e Michele, 10, são livres para escolher o programa de férias, mas preferem acompanhar a tia postiça Leonéia Pompeu no emprego. Eu não gosto de trazer elas comigo, mas tem dia que elas insistem. No meu serviço, elas não dão trabalho, aliás, ficam fora o tempo todo brincando no parquinho, conta Leonéia, que trabalha como doméstica em um apartamento do residencial Flamboyants.

A escolha das irmãs é até justificável, pois moram no Jardim Nicéia e pouco saem de casa durante o ano. O playground existente no emprego da tia, por isso, torna-se um passeio divertido e diferente. Durante as férias, Vanessa e Michele migram para casa de Leonéia, no núcleo Leão XIII. Aqui não tem nada para fazer, mas a pracinha do bairro já serve para divertir as meninas, alegra-se.

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