A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) que aponta a distribuição de renda em 162 países. Ocupamos o triste quarto lugar entre os piores países em termos de distribuição de renda. Perdemos somente para Suazilândia, Nicarágua e África do Sul. Os números são esses: os 10% mais pobres do Brasil ficam somente com 1% de toda a renda (riqueza) do país. Na outra ponta os 10% mais ricos ficam com 46,7% do total da renda.
Vejam a desproporção. Para apontar a concentração de renda é utilizado o índice (coeficiente) de Gini. Se o resultado matemático do cálculo do índice for próximo a zero a distribuição de renda é igualitária, quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda. No Brasil esse índice é de 0,591 (dados de 1997).
A queda da inflação possibilitou uma distribuição de renda indireta, com o fim do imposto inflacionário, todavia, o crescimento da economia, sem estratégia do Estado, não foi capaz de repartir o bolo de forma justa e manter os ganhos iniciais do Plano Real.
Se considerarmos que as metas econômicas são: estabilidade de preços, crescimento econômico, pleno emprego e distribuição de renda, e que o governo FHC terá 8 anos de poder, fica mais que evidente que não cumprirá 25% dessas metas. Daí a confirmação do governo de uma nota só: estabilidade. Mesmo assim sob permanente pressão e a um custo social elevadíssimo. Não é à-toa que quase 60% da população não votaria, hoje, em candidato indicado por FHC. O mundo real é o mundo real.
(*) Reinaldo Cafeo é Delegado do Corecon, Economista, Mestrando em Comunicação e Professor na ITE .