Geral

O vice-presidente da Câmara confirmou que projeto está em estudo. A proposta divide os vereadores.

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Uma das propostas é se desfazer do atual imóvel e com o dinheiro da venda construir um edifício mais moderno.

A Câmara Municipal de Bauru poderá ganhar um novo prédio para abrigar suas instalações. O vice-presidente do Poder Legislativo, vereador Roberto Bueno (PTB), confirmou, ontem, que está em estudo preliminar uma proposta que visa a venda do imóvel instalado na praça D. Pedro II, para viabilizar a construção de um novo prédio, mais moderno e amplo.

O presidente da Casa, Walter Costa (PPS), afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que não há nada de oficial no assunto. Embora Costa prefira não se pronunciar nesse momento sobre a proposta, a discussão que visa dotar a Câmara de novas instalações não é nova e vem ganhando corpo nos últimos meses.

O primeiro indício surgiu há dois meses e foi registrado na dotação orçamentária do Legislativo para 2002. Consta no documento uma reserva de R$ 1 milhão para a construção de um anexo, onde hoje localiza-se o estacionamento da Casa, no qual seriam instaladas novas salas, plenário e setores administrativos.

Essa foi a primeira hipótese discutida e logo descartada porque o volume de gasto seria muito dispendioso. A segunda proposta envolvia a Prefeitura. A Administração doaria uma área à Câmara, que por sua vez se responsabilizaria pela construção de um novo prédio com recursos próprios. O atual seria reaproveitado pelo Governo Municipal.

A idéia não vingou porque, da mesma forma do que a primeira, demandaria um grande aporte financeiro por parte do Legislativo, o que provocaria desgastes junto à opinião pública. A terceira e última alternativa, que tudo indica poderá ser a saída para viabilizar o projeto, é a venda do imóvel da praça D. Pedro II.

Com o dinheiro do negócio, pretende-se construir um novo prédio, sem gastos adicionais, numa área que deverá ser doada pela Prefeitura. Essa é a proposta que deverá ser discutida por uma comissão de vereadores que ainda será nomeada por Walter Costa.

Remendos

O vice-presidente da Câmara, Roberto Bueno, comenta o assunto com cautela. É uma proposta que temos que estudar com muito carinho. Nossa principal preocupação é não gastar dinheiro numa eventual construção. A idéia é utilizar apenas o que será arrecadado com a possível venda do atual imóvel, garante.

Segundo Bueno, as acomodações do Legislativo estão deficitárias porque a estrutura cresceu. O atual prédio da Câmara foi construído para abrigar o Fórum. Depois que o Legislativo se instalou nele, várias adaptações foram feitas. A fiação elétrica está remendada porque não há como refazê-la por completo, o que implicaria em altos custos. Parte da fundação estrutural está comprometida. A reforma ou manutenção dessa estrutura custa caro.

O petebista defende a construção de uma nova instalação, moderna e ampla, numa área de fácil acesso, que poderá ser favorecida por um projeto de urbanização. Nesse novo prédio poderíamos ter uma biblioteca, um arquivo histórico para consultas.

Bueno explica que a matéria será motivo de ampla discussão entre os parlamentares e a sociedade antes de qualquer decisão final. O vice-presidente do Legislativo preferiu não estipular prazos porque o assunto ainda está no início de discussão.

Prédio foi construído em 1959 para abrigar o Fórum

O prédio onde hoje está instalada a Câmara Municipal foi construído para abrigar o Fórum da cidade. Sua inauguração ocorreu em 1959, na gestão do ex-governador Carvalho Pinto. A informação é do historiador Gabriel Ruiz Pelegrina. Pelegrina informou que o imóvel não está tombado e nem arrolado pelo Patrimônio Histórico do Município.

Segundo ele, o Fórum funcionou nesse imóvel até 1972, ano em que o Governo do Estado aprontou o novo prédio do órgão, nos altos da Vila Quaggio. O então presidente da Câmara Municipal, Alonso Campoi Padilha, apoiado por políticos da época, solicitou ao governador do período, Laudo Natel, a cessão do prédio para instalar o Legislativo, obtendo sucesso na investida.

Mas o local também acolheu, na mesma época, a Biblioteca Municipal, que funcionou no piso térreo, ficando o pavimento superior para a Câmara. Até 1988, o imóvel pertencia ao patrimônio do Estado. Seu repasse para o Município foi uma conquista do ex-deputado estadual Roberto Purini (PDT).

Ele conta que estava numa recepção no Palácio dos Bandeirantes, da qual participavam deputados e o então governador Orestes Quércia, quando ganhou o presente para a cidade.

Era 22 de março de 1988, por coincidência dia do meu aniversário. Cantaram parabéns e tudo mais. Na saída, quando o Quércia me cumprimentou pela data, disse a ele que estava grato pela recepção, mas que faltava o presente. Ele perguntou: Mas que presente? Disse: A doação do prédio da Câmara para o Município. Ele me respondeu: Está doado.

Comentários

Comentários