Geral

Telefonia fixa chega às classes C e D

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Em três anos de privatização, o setor de telefonia experimentou um crescimento incrível, principalmente entre a clientela menos favorecida financeiramente. O número de novas linhas quase dobrou.

O maior crescimento no setor de telefonia fixa depois da desestatização do serviço deu-se nas classes C e D, faixa em que a renda mensal varia entre um e cinco salários mínimos. A expansão geral de setembro de 1998 até hoje foi de quase 50% no Estado, passando de 5,8 milhões para 11,2 milhões de linhas. Em Bauru, o salto ultrapassou o índice estadual, perfazendo um crescimento de 76%. A densidade telefônica é hoje de 31,7 linhas para cada grupo de 100 habitantes, proporção que alcança 36,4 em Bauru.

De acordo com Hélio Spinosa, consultor institucional da Telefônica em Bauru, somente entre janeiro a julho deste ano, 21.420 linhas foram instaladas na cidade, sendo que 30% delas ocorreram na região do Vista Alegre, Zona Norte da cidade que, pela planta da Telefônica, também inclui vários bairros da Zona Noroeste. Na seqüência, com 5.373 linhas, está a região da Vila Falcão, seguida do Altos da Cidade (2.864 linhas), Independência (2.564), Redentor (2.506) e Centro (1.487).

Na lista de solicitações, outros 1.300 futuros assinantes aguardam a chegada do telefone em suas residências, mas a Telefônica garante que todos os pedidos inseridos na área de operação básica (aquela onde já existem ramais e possibilidade de extensão imediata) estarão atendidos até o final de agosto. Destes, a maioria também está concentrada na região do Vista Alegre.

A Telefônica não precisou quantas das linhas instaladas em Bauru contemplaram as camadas financeiramente menos privilegiadas. A estatística geral do Estado, porém, revela que nos lares da classe C a penetração da telefonia fixa saltou de 33%, há dois anos, para 69% no final de 2000. No mesmo período, a presença de telefone nos lares da classe D praticamente quadruplicou, subindo de 11% para 42%.

Solicitando uma linha

Adquirir uma linha telefônica nos dias de hoje está mais fácil do que nunca. Nada mais de perder horas e até virar noites numa fila em razão de um anúncio do plano de expansão. As coisas eram difíceis porque o Estado tinha dificuldades de fazer grandes investimentos que pudessem contemplar a todos, muito em virtude do preço que cobrava pelos serviços, alguns até gratuitos.

Hoje, para comprar uma linha basta procurar uma agência dos Correios, solicitar uma ficha e preenchê-la corretamente. Para tanto, é necessário que o interessado tenha em mãos seu CPF, RG e comprovante de residência. O próprio Correio se encarrega de enviar o documento à Telefônica, que faz o cadastramento. A partir de então, a empresa passa a analisar os dados e a disponibilidade de efetuar o atendimento imediato. Se o local já dispuser da infra-estrutura necessária, poucos dias decorrerão até a instalação. Pela linha, o usuário vai pagar R$ 76,00; além da assinatura mensal de pouco mais de R$ 23,00. Os pulsos, as ligações e todos os outros serviços utilizados são cobrados à parte.

Investimentos X insatisfação

A política privatizante merece críticas sim, na medida em que deixa nas mãos de empresários serviços essenciais à população como água, luz e telefone. Que as empresas vão fazer de tudo para conquistar a clientela, não resta dúvida. Problema é ter a mesma certeza de que irão, ainda que com poucos ganhos, servir às pessoas menos privilegiadas. As estatais, bem ou mal, pelo menos têm o dever de cumprir sua função social.

Das privatizações realizadas até o momento, a do serviço telefônico parece ter sido a mais contemplativa em termos de satisfação popular. E olhe que as reclamações ainda são muitas. Hoje, para qualquer queixa, é preciso paciência para aguardar na linha telefônica e, mais ainda, para conseguir uma resposta rápida. Todo e qualquer serviço é cobrado, e bem cobrado. Em contrapartida, o Estado de São Paulo tem a melhor densidade telefônica (número de linhas por grupo de habitantes) do País e uma das maiores da América Latina.

Os investimentos também não foram poucos. Nos últimos três anos, R$ 10,5 bilhões foram aplicados na expansão e modernização da rede, hoje já 95% digitalizada - antes eram 73% -, possibilitando serviços como a linha inteligente e o Speedy - ambos ainda muito distantes do público que só agora está tendo acesso à telefonia.

Comentários

Comentários