Geral

Justa homenagem

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Teatro Municipal passa a levar o nome de Celina Lourdes Alves Neves; evento Sarau em Cena presta homenagem hoje à professora e diretora teatral.

Sheakespeare costumava dizer que a vida não passa de um palco. Em Bauru, entre os atores que participaram deste imenso teatro que é a vida, um nome se destaca: Celina Lourdes Alves Neves. Hoje, às 20h30, a Prefeitura Municipal de Bauru, através da Secretaria Municipal de Cultura, promove o evento Sarau em Cena - Fatos, Cenas e Sonhos de Celina.

A solenidade marca as comemorações do 105.º aniversário de Bauru e concede oficialmente o nome de Celina ao Teatro Municipal.

O descerramento da placa de homenagem à patrona do Teatro abre a noite de festa. O projeto de lei que concede o nome ao Teatro Municipal foi feito coletivamente e aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal.

Em seguida, haverá performances envolvendo a Academia Bauruense de Letras, Delegacia de Bauru da União Brasileira de Trovadores, conjunto musical Brancaceli e ex-alunos da professora, fundadora da Escola Progresso.

Durante o Sarau, serão expostos objetos e fotografias inéditas que marcaram a vida de Celina. Entre os artigos, algumas crônicas inéditas que foram escritas para sua coluna Bom Dia, Bauru, veiculada no Jornal da Cidade, mas que não chegaram a ser publicadas.

Os atores Nilton de Oliveira, Jairo César de Lima, Luiz Ciniciato, Antônio Carlos Martinez, Esso Maciel, Fátima Aparecida Napolitano, Isa Martinez, Maria Helena Leão, Arlene Godoy Martinez, Judith Aguiar Pereira, Maria José Jandreice (Majô) e Regina Ramos se revezam na apresentação das montagens de O Auto del Rei Seleuco, O Assalto, Pluft, o Fantasminha e Camões e o Jaú.

As peças são fragmentos da carreira de dramaturgia de Celina. São recordações de ex-amigos que atuaram no teatro bauruense, coordenados por Celina. Trata-se de uma volta aos palcos dessas pessoas depois de muito tempo sem atuar.

Todos os atores do Sarau são ex-integrantes do Grupo Teatral Gil Vicente e da Escola de Teatro Cena Aberta.

Os escritores Munir Zalaf, Josefina de Campos Fraga e Caleb Patrício de Barros, da Academia Bauruense de Letras e Ercy Maria Marques de Faria, da Delegacia de Bauru da União Brasileira de Trovadores, vão homenagear Celina com as poesias Não me Interrompam, Nega Fulô e Aquela Porta. A noite será fechada pelo conjunto musical Brancaceli, que interpretará as canções Tristeza do Jeca, Lampião de Gás e Chuá Chuá.

A homenagem deve contar com a presença de ex-amigos de Celina, entre eles, o prefeito Nilson Costa. Ela fez de sua vida um antídoto para a ignorância. Tive convívio de amizade e profissional por várias décadas com Celina, abrindo espaço no jornal para as suas crônicas magistrais. Artista múltipla, era mulher do ensino, da literatura, da poesia, da música. Mas é o Teatro Municipal o local escolhido para ficar para sempre como o seu endereço, um marco de cultura e lazer, onde muitos poderão cultuar e seguir os ideais de Celina, disse o prefeito.

O Teatro Municipal passa a ter muito mais que conforto. Passa a ter alma, presença inexplicável que transforma uma sala em um espaço mágico de sonho e realidade. É a sensível energia que reina por todos os espaços cênicos, completa o Secretário Municipal de Cultura, Sérgio Losnak.

Serviço

Sarau em Cena Fatos, Cenas e Sonhos de Celina, hoje, às 20h30, para convidados, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: 235-1072. Realização: Prefeitura Municipal de Bauru - Secretaria Municipal de Cultura.

Quem foi Celina?

Celina Lourdes Alves Neves nasceu em Taquaritinga (SP), no dia 6 de abril de 1920. Filha de Antonio Alves Filho e Carminda Ribeiro Alves, foi casada com Eurico Camargo Neves, falecido em 1954. Desta união nasceram os filhos Paulo Roberto, Carlos Alberto e Celina Elizabete.

Nos anos 50, fundou a Escola Progresso, na rua Gérson França, e a dirigiu por mais de 40 anos. Foi professora de datilografia, taquigrafia e caligrafia. Sua grande preocupação com os alunos era a de que, ao concluírem o curso, soubessem discutir o que ela chamava de conhecimentos gerais.

Queria alunos participativos, políticos, éticos, leitores, eleitores, e acima de tudo, cidadãos do mundo. Lecionou no Senac por 25 anos e na Escola do Pequeno Trabalhador por 10 anos. Em 1958, fundou o Grupo Folclórico Luso-Brasileiro e no ano posterior, o Grupo Teatral Gil Vicente. Foi a primeira presidente e liderou até os anos 80 a Federação Bauruense de Teatro Amador (Febata), criada em 1965.

Também participou da criação da Escola de Teatro Cena Aberta e da Academia Bauruense de Letras, a qual foi a primeira presidente. Escreveu cinco livros. Conseguiu publicar apenas um: Retalhos da Vida, em 1997.

Abriu a Escola Progresso para o Grupo Esperantista de Bauru e manteve reuniões de poesia até junho de 2000. Foi homenageada pela Câmara Municipal de Bauru com a Medalha do Mérito Custos Vigilat e com o Título de Cidadã Bauruense.

Problemas de saúde e uma queda, que resultou em um grave fratura, a impediram de sair da cama por quase dois anos. Não esteve presente na inauguração do Teatro Municipal em abril de 2000. Mas, quando as cortinas se abriram, seu coração estava presente. Pela sua dedicação à cultura de Bauru, passa agora a nomear oficialmente o espaço.

Comentários

Comentários