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MARIONETES NAS MÃOS DO PODER

José de Almeida Netto
| Tempo de leitura: 2 min

Referimo-nos à situação um tanto difícil em que se encontra o funcionalismo público de modo geral, isto é, nos três níveis da administração, pública, civil e militar. No decorrer dos últimos seis anos, os servidores públicos praticamente não obtiveram reajustes salariais.Os representantes do Poder Executivo não tiveram a devida preocupação em conceder a reposição salarial pelo menos de acordo com os índices inflacionários, ano a ano. Em conseqüência, a defasagem do período ficou em torno de 45 a 60%. Esta situação deixou o administrador público com dificuldade em atualizar os salários de uma só vez e alegam ainda estarem condicionados à Lei de Responsabilidade Fiscal.Se houvessem se preocupado com esta questão e durante os seis anos concedido a variação da inflação que ficou na média de 6% ao ano teriam permitido ao final desses anos 36%. Isto significa para uma defasagem de 45%, que só restariam agora 10%, e não estariam neste grande impasse. Depois que a vaca vai para o brejo, fica difícil resgatá-la.Neste contexto, vale ainda observarmos que policiais civis e militares de vários Estados entraram em greve reivindicando melhorias em seus vencimentos. Não o fizeram por questões políticas, nem muito menos ideológicas, mas sim, por imperativo das necessidades de sobrevivência.Foi cogitada a criação de uma guarda nacional, o que pela nossa ótica, só serviria para agravar ainda mais o grau de rivalidades já existente nas corporações policiais. Esta questão sugere-nos a seguinte indagação: se existem recursos para a força policial de âmbito nacional, por que não repassá-los aos Estados com o propósito de melhorar os vencimentos dos policiais? Isso, a nosso ver, tornaria muito menos dispendioso aos cofres da federação. Acreditamos que esta sugestão é perfeitamente coerente, se levarmos em consideração que segurança pública não se desassocia de segurança interna e esta de segurança nacional.Parece-nos que neste palco montado pelo descaso, os servidores públicos representam o indesejável papel de marionetes nas mãos daqueles que detêm o poder.

(José de Almeida Netto - RG: 3.293.252)

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