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Oferta de emprego gera protesto

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 500 homens desempregados protestaram, na manhã de ontem, em frente à empresa Quali Com, na quadra 10 da rua Rio Branco, contra um anúncio de oferta de empregos na área de telecomunicação.

Os candidatos às vagas surpreenderam-se ao receber a informação, por funcionários da empresa, de que só seriam selecionados aqueles que realizassem um curso cujo custo é de R$ 80,00.

O anúncio, publicado no último final de semana pela Quali Com, informava que rapazes e senhores com idade acima de 18 anos, interessados em emprego na área de telecomunicação, deveriam comparecer à empresa, a partir das 9 horas, levando apenas cédula de identidade, CIC e carteira de trabalho. O anúncio informava, ainda, que não seria necessária experiência e que havia 80 vagas disponíveis.

Alguns dos candidatos à vaga chegaram ao local à meia-noite de domingo para aguardar até a manhã de ontem, em fila que deu voltas no quarteirão. Algumas testemunhas informaram que havia cerca de mil pessoas interessadas nas vagas.

O problema teve início por volta das 9 horas da manhã, quando os candidatos receberam a informação, por parte de funcionários da empresa, de que seriam selecionados apenas aqueles que participassem de um curso de formação, cujo custo é de R$ 80,00. Houve tumulto na quadra 10 da Rio Branco, em frente à Quali Com, que chegou a interromper o trânsito. Revoltados, os homens gritavam. Eles deveriam ter colocado no anúncio que era um curso e que depois as pessoas poderiam ser selecionadas. Quando vi o anúncio, ainda mais sem experiência, pensei que seria uma chance. O pessoal vê isso e cria uma ilusão. No anúncio deveria estar escrito que estão abrindo curso para habilitar pessoas a esse tipo de serviço, reclamou Jorge Antônio Cândido, de 23 anos, que está desempregado. Claudinei Melo, de 26 anos, também desempregado, reivindicava o dinheiro que gastou com passe para ir até o local. Se eu tivesse como pagar esse curso, não estaria aqui, disse.

A Polícia Militar (PM) esteve no local para controlar o tumulto e conter as pessoas que se aglomeravam na recepção da Quali Com.

O funcionário Dafnis Sacamoto, que estava auxiliando no atendimento aos candidatos às vagas, na manhã de ontem, afirmou que eles estavam selecionando pessoas para trabalhar para a empresa WCel Engenharia, na área da telecomunicações. As pessoas com experiência praticamente já estão empregadas. As sem experiência terão que passar por uma formação e passar por um exame psicológico e todo um processo de seleção. Aqui estamos pegando inscrições para o curso. Quanto às pessoas que têm experiência, entraremos em contato com a empresa para ver se elas também serão enquadradas, afirmou.

O tumulto se intensificou quando funcionários de empresa terceirizada da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) chegaram ao local para efetuar o corte da energia elétrica da empresa, por falta de pagamento.

Após o controle da situação, foram distribuídas senhas às pessoas interessadas, às quais seriam posteriormente chamadas para teste.

De acordo com o coordenador da Quali Com, Eduardo Antônio Marciano, a empreiteira WCel Engenharia solicitou à Quali Com que selecionasse pessoas para atender às 80 vagas na área de telecomunicações, entre elas cabistas, aprendizes de cabistas e instaladores de linhas telefônicas. Eles precisavam de uma avaliação de um centro de formação profissional. Nós colocamos o anúncio, pedimos para o pessoal vir à escola para maiores informações. O anúncio grande me custaria caro, alegou.

Os candidatos deixariam o currículo para que a empresa entrasse em contato no decorrer da semana. Quanto à ausência de solicitação de currículo, Marciano informou que houve falha de comunicação entre ele e a secretária que redigiu o anúncio.

Além disso, informou, diferentemente do que estava sendo passado aos candidatos, na recepção da escola, que após a seleção, apenas os escolhidos fariam o curso. Só fazem o curso as pessoas que foram selecionadas. Os funcionários não devem ter tido oportunidade de dar todas as informações. Os interessados em vagas posteriores também poderão fazer o curso. As pessoas que já têm experiência podem deixar o currículo para a seleção, observou Marciano.

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