O deputado estadual Celso Tanaui (PTB) se reuniu ontem, em Bauru, com os oficiais da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar para manifestar apoio à categoria e declarar que é contra as medidas que o Governo Federal está providenciando para inibir as greves dos policiais militares.
Segundo ele, o governo não pode usar o episódio protagonizado pelos PMs da Bahia - que entraram em greve encapuzados e ameaçaram a ordem do Estado - para tentar pôr fim ao direito da livre manifestação da categoria através de movimento grevista.
Aproveitando-se desse episódio, o governo quer fazer mudanças estruturais na polícia de todos os Estados do País, afirma. As propostas que estão em discussão em Brasília abrangem a unificação das polícias (Militar e Civil), a criação da Guarda Nacional, a intervenção do Exército nas polícias, dar poder de polícia para as guardas municipais e intervir e extingüir as associações e sindicatos das duas categoriais.
Para Tanaui, a unificação das polícias não vai resolver o problema da violência no País. A intervenção do Exército nas Polícias Militares fere o princípio federativo, contrariando tudo o que está previsto na Constituição, esclarece.
O deputado diz que a população está mais preocupada na solução do problema da violência. Hoje o povo está trancafiado atrás de grades, de portões, porque não se sente seguro. O que o Governo Federal está discutindo são medidas paliativas que não levam a nada.
Tanaui avalia que a Polícia Militar sobrevive as duras penas e ainda com o ônus de que a instituição é fator gerador da violência. E não é. Os fatores que geram a violência todo mundo conhece: são o desemprego, a miséria, a fome, a impunidade. Hoje se dá mais valor a um preso condenado, que já matou, ao invés de se dar valor ao policial.
Para o presidente da regional Bauru da Associação dos Subtenentes e Sargentos da PM, Adauto Guedes, o salário da PM sofreu um achatamento substancial nos últimos anos. Hoje o soldado entra com um salário próximo ao do subtenente. Praticamente, o governador aplicou um aumento salarial só nas bases. E o teto, principalmente na graduação de subtenentes, ele deu o mínimo de 10%.
Guedes diz que a política salarial aplicada pelo governo nos últimos anos favorece a base da categoria em detrimento dos oficiais de maior graduação. Hoje a diferença de vencimento entre algumas graduações não passa de R$ 20,00. Qual o incentivo que se tem para buscar a ascensão na carreira?, questiona.