Geral

Familiares das vítimas da chuva vão ao ato ecumênico

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Familiares do motociclista Rodrigo Maciel dos Santos e da enfermeira Maria Anita Ribeiro da Silva, que morreram na enchente ocorrida em Bauru em 8 de fevereiro deste ano, vão participar do ato ecumênico hoje, às 10 horas, na Praça Chujiro Otake (a Praça do Relógio do Sol, que fica no entroncamento para as avenidas Alfredo Maia e Castelo Branco).

O ato ecumênico está sendo organizado pela Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades da cidade, que cobram da Prefeitura solução para as erosões e o escoamento da água da chuva. Quatro pessoas morreram este ano em Bauru por causa das enchentes e erosões.

Além do motociclista e da enfermeira, que foram tragados pela enxurrada na avenida Alfredo Maia, duas irmãs morreram, no dia 4 de março, quando o carro que ocupavam caiu dentro da erosão aberta na avenida Waldemar G. Ferreira. O ato ecumênico em memória das vítimas fatais das enchentes e erosões deve ter a participação de representantes de evangélicos, católicos e espíritas.

Em seguida, representantes das entidades que integram o Fórum de Debates das Questões Urbanas deve fazer uma manifestação política, cobrando providências da Prefeitura.

Jair Maciel dos Santos, pai de Rodrigo, disse que vai participar do ato ecumênico porque é uma forma de homenagear seu filho e cobrar medidas do poder público. Pelo que sabemos, nada foi feito na avenida Alfredo Maia para evitar outra tragédia como a que ocorreu com meu filho. O risco continua, disse Jair, que pretende ir ao ato com sua esposa e filha.

O viúvo da enfermeira Maria Anita disse ao JC que também pretende participar do ato ecumênico, hoje. Ele frisou que o período de chuvas está se aproximando e que não viu nenhuma obra para evitar outras mortes como a de sua esposa. A enfermeira foi levada pela água da chuva quando saía da igreja e seu corpo não foi encontrado.

Recentemente, Silva conseguiu o atestado de óbito, onde consta que Maria Anita morreu por afogamento. Ela deixou quatro filhos e a família ainda está muito abalada. O corpo de Rodrigo foi localizado em Guainás, cerca de 20 quilômetros distante de onde desapareceu. Além do ato, as entidades que cobram da Prefeitura solução para as erosões e enchentes, vão fazer, no próximo dia 11, uma audiência pública na Câmara Municipal.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Sandro Fernandes, disse ao JC, no início desta semana, que a Carta de Bauru, documento que listou prioridades para serem executadas pela Prefeitura visando resolver os problemas de erosões e de escoamento da água da chuva, foi solenemente ignorada. A Carta de Bauru foi elaborada durante a primeira plenária popular, em maio.

Inquérito apura a morte de motociclista

O inquérito policial que apura as circunstâncias da morte do motociclista Rodrigo Maciel dos Santos, 18 anos, ainda não foi concluído. O caso está sendo investigado pelo 1.º Distrito Policial, que está ouvindo testemunhas da tragédia. O rapaz desapareceu, com a moto, na enxurrada no dia 8 de fevereiro.

O delegado Dinair José da Silva, do 1.º DP, contou que o inquérito já está no terceiro volume e envolve também a empresa para qual ele trabalhava, já que, quando morreu, estava seguindo para fazer uma entrega. Ele explicou que está sendo averigüado se a morte de Santos poderia ou não ser evitada. Estamos averigüando se a morte foi culpa exclusiva da vítima ou se houve culpa concorrente - da empresa para qual ele trabalhava ou da administração pública, disse.

Comentários

Comentários