Os cafeicultores estão buscando uma negociação para tentar resolver, definitivamente, as dívidas de R$ 5,4 bilhões que o setor possui e que começam a vencer em 31 de outubro. Para isso, entidades do setor contrataram José Milton Dalari, que já foi membro do governo e tem profundo conhecimento do setor, para formular uma proposta, auxiliado por representantes dos cafeicultores.
Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), um dos representantes dos cafeicultores, diz que a intenção é que se chegue a uma negociação na qual as dívidas da cafeicultura sejam pagas em até 20 anos, num total de 5% ao ano.
Atualmente, o preço do café, no mercado internacional, é o mais baixo do últimos 17 anos. A queda tem a influência de um excesso de 10 milhões de sacas disponíveis, além do fato da última safra brasileira ter sido muito pequena, tirando o poder de negociação dos produtores nacionais. Não tem saída para o setor. Hoje, o governo não intervém mais no mercado, afirmou.
Lima Verde explica que existem três tipos de dívidas nesse setor: as com o Funcafé (governamental), no valor de R$ 1 bilhão; as com os bancos da iniciativa privada, que chegam a R$ 4 bilhões; e as com as cooperativas de crédito, que atingem R$ 400 milhões.
Em relação às dívidas do Funcafé, já há uma determinação ao Banco do Brasil para que aguarde 60 dias após o vencimento, até que se tome uma decisão definitiva sobre o que se vai fazer.
As dívidas dos bancos privados terão que ser tratadas junto à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Com isso, na visão dos produtores, a situação se complica, pois o governo não pode interferir diretamente com determinações. Nesse caso, o maior credor da cafeicultura é o Banespa-Santander e o segundo é o Bamerindus, que apesar de não operar mais ainda tem muitos créditos. Itaú e Bradesco também teriam valores significativos a receber.
Em relação às cooperativas de crédito, o governo também não pode determinar qualquer medida, o que também complica as negociações, pois cria mais uma frente a ser resolvida.
De acordo com Lima Verde, os cafeicultores de Minas Gerais, Estado que detém 60% do parque cafeeiro nacional, estão em pânico, pois enfrentam problemas de falta de crédito para compra de adubos e insumos, além de estarem sendo pressionados por bancos e cooperativas. Isso foi constatado, na semana que passou, em uma reunião realizada em Belo Horizonte (MG), na qual se discutiu o plano que será entregue ao governo para que este possa atuar no Congresso Nacional para resolver os problemas do setor.
Geral
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados está discutindo uma saída para se obter uma proposta de negociação para as dívidas agrícolas em geral, que estão em cerca de R$ 24 bilhões incluindo o setor cafeeiro -, segundo estimativa do Banco Central (BC). Cinco proposta estão sendo debatidas. O limite também é o dia 31 de outubro, quando vence a parcela deste ano dos refinanciamento (até R$ 200 mil) e do Pesa (acima de R$ 200 mil).