Antes das últimas eleições municipais, escrevi a respeito, nesta mesma seção, sobre o então candidato Pedro Tobias, sob o título Tobias or not Tobias onde declarava minha opção pelo mesmo, concluindo a exposição com a frase Tobias yes Tobias. Hoje continuo seu eleitor, vendo em Pedro Tobias honestidade, dedicação, coragem, enfim virtudes que o qualificam como legítimo representante de Bauru e região em assembléia legislativa paulista. Contudo, a meu ver, seu recente pronunciamento sobre o interminável conflito no Oriente Médio entre palestinos e israelenses, está - data venia - lamentavelmente equivocado e do qual discordo frontalmente. Eis que o nobre deputado enaltece o terrorismo de uma das facções palestinas - o Hamas - ao mesmo tempo que critica a ONU pela criação do Estado de Israel na década de quarenta. Entendo que todo e qualquer terrorismo é condenável. Representa a negação da inteligência e do espírito de entendimento humano, que diferencia o homem do animal irracional.
Os palestinos devem ser respeitados em suas crenças e tradições. Inegavelmente têm o direito sagrado a um território e a uma pátria, com voz no concerto das nações. Igualmente, os israelenses têm o mesmo direito. Agiu muito bem a ONU ao estabelecer uma base territorial a esse povo que vaga pela terra há dois mil anos. Racismo, ódio, não. Brasileiros, com todas nossas mazelas - e as temos muitas - damos lição de tolerância racial ao mundo. Aqui convivem lado a lado, praticamente, descendentes de quase todos os povos do Planeta. Temos como todos os povos, lamentáveis exemplos de preconceito de cor. Onde o negro é muitas vezes discriminado, para vergonha nossa. Estigma esse sumamente injusto para um povo que contribui em todos os setores para engrandecimento da pátria e cujo preconceito deve ser execrado por todos nós. A humanidade, neste terceiro milênio, haverá de dirimir as divergências, através da discussão franca, buscando sempre o entendimento com base no respeito mútuo, onde as diferenças - que sempre haverão - de credo religioso, política, cor, não leve à luta estéril e fratricida. Portanto, ao deputado Pedro Tobias, embora respeite e apóie seu ingente trabalho de legislador, quanto ao terrorismo resta-me dizer-lhe alto e bom som Tobias not Tobias. (Manoel Porfírio Rocha Filho - OAB 12.989)