Geral

A primeira hecatombe do século

(*) José Almodova
| Tempo de leitura: 3 min

Praticamente à entrada do novo milênio, que tão alegremente esperávamos na esperança de um mundo de dias melhores, ao ensejo do despertar da nova Era, nos conduz e obriga a profunda reflexão. Não sabemos, se pode ser que estejamos, circunstancialmente chegando à afirmação de alguma escritura tal como: a dois mil chegará, mas de dois mil não passará. Ou, se trata de sacrifício ou castigo para com a humanidade (ninguém deste cada vez mais conturbado mundo), terá a chave do processo capaz de mudá-lo, seja para chegar ao pior - coisa certamente mais viável - ou para melhor - porém, com menos possibilidades de mudança, muito embora o mais esperado praticamente em todo o universo.

Uma conseqüência, que possivelmente jamais teria participado da preocupação, bem como das orações de quantos almejam dias melhores aos seres humanos (que assim como nós), ainda habitam - o conturbado planeta terráqueo - na paz do Senhor. Mas que, entretanto, vem de surpreender-nos através da insólita hecatombe/suicida, adrede preparada por uma plêiade de fanáticos indivíduos de cérebros doentios, dispostos a se tornarem (ou produzirem mártires), em defesa de causas político/culturais ou econômicas. Um nefasto produto que demonstra absurda ou anormal capacidade. Porém, geralmente doentia, no caótico limite do mundo, por conta da saga em que vivem: formados na cultura de autoflagelação e sacrifício (até homens-bombas), sob causas incrustadas em suas respectivas personalidades. Foi assim que, infelizmente, aconteceu a primeira hecatombe deste século (neste 11 de setembro), talvez haja ocorrido ali o maior atentado terrorista da História do país. Praticados com dois aviões seqüestrados (da American Airlines, trucidando 266 pessoas a bordo), assumidos e conduzidos por fanáticos/suicidas doentios. Numa ação terrorista sem precedentes, atingiram e explodiram ambas torres gêmeas do World Trade Center, Nova York às 8h45 e às 9h03, em plena atividade de dia útil de trabalho; e em Washington às 9h45, espatifando-se sobre o Pentágono (conjunto de seis prédios), também ativo. Além de um quarto avião (seqüestrado da United Airlines com 64 pessoas), porém abatido - segundo informação de sua companhia aérea - sobre uma área rural de Pittsburgh, na Pensylvania.

O triste acontecimento que sensibilizou de imediato, a maior parte dos países desenvolvidos do mundo, bem como igualmente dos emergentes - tal como o Brasil - sob demonstração de sentimentos e manifestos de solidariedade aos EUA, na pessoa do presidente George W. Bush. Este - nos primeiros momentos da catástrofe - não foi capaz de esconder do mundo sua ira, no sentido de iminente providências de retaliação absoluta, apelando para um guerra sem trégua, independente da cobrança de quantos montaram e levaram executores ao monstruoso crime de lesa-pátria. Em natural estado de coisas, agredidos pelo terrorismo em seus propósitos costumeiros de país egocêntrico, que entretanto, deixou transparecer a vulnerabilidade de seu poderio. O presidente Bush - não esperando sequer abaixar a terrível poeira do crime imposto ao país, buscou conhecer os números de feridos e de mortos: americanos e estrangeiros, bombeiros, policiais (em mais de 5,5 mil mortos). Imediatamente, contudo, obteve autorização favorável, por unanimidade dos 98 membros do Congresso, para ir à guerra. Particularmente, creio que: agora só falta descobrir quantos serão os países envolvidos através da ação de filhos tão ilustres...

No Brasil, mostramo-nos solidários, partilhando do sofrimento alheio que propomos mitigá-lo. Segundo pensamento do presidente Fernando Henrique: Desatinos, por enquanto, foram praticados por um dos lados. Tomara que o outro não o faça. Percebe-se que o assunto deve ser bem pensado. Entende-se por solidariedade: obrigação moral de quem é solidário; despido da obrigação de pegar em armas. Como se manifestou o Japão: somos solidários mas não para pegar em armas, segundo nossa Constituição. (Boris Casoy, em 14/9): Foi a exigência dos EUA, na Constituição do Japão após a Segunda Guerra Mundial. Bush: Agora que nos foi declarada a guerra, conduziremos o mundo à vitória contra o terrorismo. - Fico por aqui.

(*) José Almodova é professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade pela Unesp-Bauru. É jornalista e colaborador do JC. Escreve às quintas-feiras nesta coluna. E-mail: almodova@ig.com.br

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