Geral

Secretaria de Cultura quer recuperar a locomotiva 278

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Cultura, pretende reativar a locomotiva 278, que pertenceu à Noroeste do Brasil (NOB). A idéia é que a maria-fumaça e seus sete vagões sejam reativados e passem a percorrer, uma vez por semana, um trecho com fins de passeio nos trilhos da Ferrovia Novoeste, dentro dos limites do Município.

O secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, contou ao JC que em 1995, na gestão Tidei de Lima, foi firmado um convênio entre o Município e a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que estabelecia que a máquina 278 e sua composição, ou seja, seus vagões A1, A2, A4, A6, R9, BM e S22 (entre eles carros-dormitório, restaurante e bagagem) passariam a ser de posse do Município para recuperação e funcionabilidade. O Município teria, na ocasião, efetuado pagamento à rede referente ao convênio de posse da locomotiva. Como todas as peças do Museu Ferroviário, ela não pertence ao Município. Ela faz parte do convênio que está em posse do Município, esclarece Losnak.

A 278, que foi encomendada pela Noroeste em 1920, foi a primeira locomotiva a passar por processo de recuperação e sua primeira reaparição pública se deu por ocasião da comemoração dos 80 anos da NOB, em 1987.

Mais tarde, por problemas de manutenção, ela foi novamente desativada e hoje encontra-se parada numa oficina localizada na Vila Falcão. Ela chegou a ficar em estado de abandono, pegando chuva, com pessoas dormindo no seu interior. A Prefeitura não tem linha, não tinha dinheiro e nem onde guardar, alegou Losnak.

Apesar de desativada, atualmente a maria-fumaça encontra-se limpa, parcialmente pintada e guardada em um local adequado, segundo o secretário municipal de Cultura.

A idéia de reativar a locomotiva 278 está prestes a se concretizar através de um convênio que está sendo celebrado entre a Secretaria Municipal de Cultura, a Ferrovia Novoeste e a Associação dos Amigos dos Museus. Nós fomos atrás da Novoeste, que detém a linha. O convênio vai possibilitar a utilização da linha da Novoeste, disse.

A partir do convênio, ficaria a cargo da Novoeste fornecer materiais necessários assim como pessoal qualificado para recuperar a infra-estrutura dos carros e da locomotiva; disponibilizar local adequado para reforma e recuperação da 278; e manter as linhas em condições de uso, entre outras coisas.

O Município entraria com parte dos recursos necessários para a recuperação e com a mão-de-obra, entre outros termos.

Já a Associação dos Amigos dos Museus viabilizaria pessoal qualificado para calcular os custos da recuperação da composição da maria-fumaça 278.

A minuta do convênio passou pela Câmara Municipal em agosto deste ano e deverá ser assinada ainda neste mês. O objetivo é recuperá-la e fazer com que ela funcione para passeios. Nós faríamos um percurso semanal que iria do Museu Ferroviário à Estação de Curuçá (Vila Dutra), dentro da cidade. Seria um turismo interno, expôs Losnak.

A disputa pela locomotiva

O secretário de Cultura, Sérgio Losnak, mostrou preocupação em virtude das declarações do diretor de finanças da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Hélio Gazetta Filho, em matéria publicada no último dia 19 pelo Jornal da Cidade.

A associação restaurou e levou para Campinas a locomotiva 401, que em breve deverá retornar aos trilhos percorrendo o trecho Campinas - Jaguariúna. Nas declarações de Gazetta, ficou notório o interesse da associação em tirar de Bauru a maria-fumaça 278, que ainda está em posse do Município.

Losnak argumentou que a 401 não fazia parte do convênio firmado entre a prefeitura e a RFFSA, em 1995. E garante que a maria-fumaça 278 não deverá sair de Bauru, apesar do declarado interesse da ABPF de levá-la a Campinas. A 278 é nossa e ninguém tasca, declarou. A população pode ficar tranqüila porque ninguém vai nos tirar essa máquina, acrescentou Losnak.

Comentários

Comentários