Vem o Governo procurando uma forma de conseguir com que os alimentos básicos, oriundos da lavoura em geral, baixem um pouco os seus preços na origem e, logicamente, no seu amplíssimo mercado. A iniciativa cai como uma luva, sob medida, exatamente em cima das acalentadas aspirações e das reais necessidades da população, principalmente das camadas salariamente menos aquinhoadas, que aí estão fazendo ginásticas espetaculares para não passar fome, em função do que gastam praticamente todo o seu rendimento mensal. Ao que se comenta ou apregoa a idéia da equipe econômica é isentar totalmente esses produtos dos poucos encargos tributários que ainda lhes restem, caminho que a opinião pública entende excelente, mas não capaz de fazer os comestíveis baixarem totalmente, ou seja, alcançarem o preço justo ou equânime, pois, na verdade, o que dita as cotações de tudo não é apenas o tributo final, e, sim, também, os gravames insólitos que vêm da interferência notória ou camuflada dos intermediários ou atravessadores. São eles que se infiltram insidiosamente no importante setor, do qual depende a sobrevivência da massa humana, fazem a orquestração das mutretas e da comercialização e, de repente, o produto que foi trazido dos campos cerealíferos, canavieiros, frutícolas e demais, a preços razoavelmente aceitáveis, é apresentado nos supermercados, empórios e vendas pelo triplo do normal, determinando que o consumidor se contorça e chore na hora penosa de precisar comprá-lo. Então, senhores do Planalto e Ministérios específicos, juntamente com os impostos, taxas e outros encargos fiscais de denominações as mais diversas e curiosas, os intermediários e atravessadores precisam também ser diretamente enfrentados ou defrontados corajosamente, vale dizer-se, serem chamados à realidade econômica-social da Nação, sem o que a população não mais terá a ventura de conseguir inserir-se no exato contexto pelo qual tanto se debate, desde quando? Exatamente desde que o País deixou de ser apenas a terra que em se plantando tudo dá para ser, igualmente, a terra da industrialização desordenada por excelência, que ajuda a consumir em suas máquinas o que os campos produzem, acionados por sementes, adubos, chuvas geralmente escassas e uma mão de obra que não tem tamanho. Aí está o nosso querido IBGE, ao qual servimos durante 27 anos, animando as esperanças nacionais com uma safra agrícola estimativamente recorde neste ano. Que se permitirá fazer com ela? É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.