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Complementando "Compras a prazo"...

(*) José Almodova
| Tempo de leitura: 3 min

Sobre o assunto levado à coluna na última quinta feira, recebemos de alguns seletos leitores (e ou amigos), que nos honram com sua leitura. Destarte, retornamos, no intuito de avaliar a flutuação dos percentuais sobre os preços cobrados nas vendas a prazo, realizadas em nossa cidade, pelas quatro mais importantes lojas do Município. O objetivo decisório do trabalho de pesquisa aqui iniciado (no primeiro quadrimestre deste ano) propunha, como ocorreu, a realização de uma pesquisa de foro particular buscando envolver comparativamente, os três quadrimestres do ano, quanto à evolução percentual dos preços. Inicialmente, levantamos os dados colhidos dos quatro primeiros meses (janeiro a abril), pesquisando as vendas apenas de dois títulos dos produtos oferecidos: a) eletrodomésticos; b) móveis e utensílios.

No presente, isto é, segundo quadrimestre, dada a necessidade da continuidade comparativa, para a qual pretendíamos repetir a pesquisa dos preços de venda de cada respectiva empresa, executaremos os levantamentos estatísticos unicamente do título eletrodomésticos. Isso por falta de condições técnicas inseridas nos panfletos distribuídos na propaganda (talvez por pura coincidência), hajam passado a ser cotadas apenas de preços oferecidos com o adendo (sem juros), isto é, com apenas os preços à vista, fracionando os pagamentos, geralmente em no mínimo 4 ou 10 parcelas, no máximo. Trata-se de um novo procedimento das lojas, impossibilitando clientes de conhecer a taxa de juros embutidos nos preços de venda. O cliente fica num beco sem saída, semelhante àquele cujo parcelamento ocorre sob a oferta de um bem: à vista, ou no mesmo preço em três ou mais pagamentos.

Que me perdoem os comerciantes, mas o presente sistema de vendas a que nos referimos, e que vem sendo largamente praticado (como mostramos ocorrido neste segundo quadrimestre), não passa de um engodo comercial. O consumidor, sem qualquer tipo de defesa, se acha distante da intervenção que deveria ser exercida pelos órgãos competentes, em defesa dos clientes. Por outro lado -como já discutimos anteriormente- algumas empresas há, que sonegam o preço do produto à vista, sob desculpas de que suas vendas são feitas sem juros, informação que vem sendo adicionada em cada produto, nos panfletos. Olho nelas, pois o que acontece é que na verdade, sem conhecer o preço à vista, é impossível calcular os juros embutidos na oferta dos produtos. Assunto sobre o qual, já anteriormente fizemos apelo através da coluna, alertando o Procon.

Mantemos o intuito de atender nossos prezados leitores, na expectativa das simples in-formações que possam ser benéficas (a quantos valorizam as informações de economia sobre consumo de bens duráveis), como segue. Relativamente às 4 maiores lojas, relacionamos as grandezas pesquisadas via panfletos (comparando-as quanto aos juros cobrados nos dois quadrimestres deste 2001. Primeiro quadrimestre: (jan. =4,94%; fev. =4,12%; mar. =5,43%; abr. =4,33%; somatório =18,82 e média simples =4,71%. Segundo quadrimestre: (mai. =6,69%; jun. = 5,51%; jul. =7,15%; ago. =5,63%; somatório =24,98, e média simples = 6,25%. Portanto, a evolução do crescimento percentual das médias entre ambos os quadrimestres (6,25/4,71) =32,7%. Concluindo, a considerar que a evolução geral da inflação brasileira (segundo a mídia), não ultrapassou neste ano, da casa dos cerca de 6,0 %, enquanto as mais importantes lojas de Bauru (apregoando vantagens), ofereceram preços de 32,7% no segundo quadrimestre, mais caros que os do primeiro quadrimestre à clientela. Alguma coisa!... É a filosofia de que quem pode mais chora menos. -Fico por aqui.

(*) José Almodova é professor, Mestre em Projeto, Arte e Sociedade pela Unesp-Bauru.

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