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Cinco presos driblam vigias e fogem da Penitenciária I

Por Rita C. Cornélio | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de quase um ano de trégua, a Penitenciária I de Bauru voltou a registrar fugas. Ontem pela manhã, na contagem de rotina, os agentes perceberam que faltavam cinco presos. Eles abriram a cela, saíram pelo telhado e depois fizeram um buraco no alambrado para sair das dependências do presídio.

Os cinco presos - quatro de São Paulo e um de Botucatu - devem ter fugido entre a noite de domingo e madrugada de ontem. O diretor da Penitenciária I, Wilson Erloza Júnior, abriu sindicância para apurar a fuga. Segundo ele, há indícios de que houve falha de funcionários na fuga.

Descobriu-se, posteriormente, que os presos abriram a cela, possivelmente com uma chave falsa (não há sinais de arrombamento), escalaram a parede usando uma escada improvisada feita com corda e pedaços de madeira e saíram pelo telhado, chegando ao raio 3. Do raio, que é cercado por alambrados, eles fugiram através de um buraco na cerca, possivelmente feito com a ajuda de alicate.

Os fugitivos tiveram o cuidado de fazer o buraco no alambrado perto de uma torre de observação da Polícia Militar que estava vazia no momento - existem quatro torres em torno da penitenciária, de onde a Polícia Militar faz a segurança externa. De lá, fugiram tomando rumo ignorado e, até ontem à noite, não haviam sido recapturados.

Segundo informações extra-oficiais, o portão lateral do primeiro alambrado estava sem cadeado - só teria sido fechado após a fuga. A torre que deveria fazer a segurança externa estava vazia por falta de efetivo, segundo informação de um policial militar que preferiu não ser identificado.

Erloza Júnior disse que vai começar a ouvir os funcionários hoje para tentar descobrir se houve ou não falha dos agentes de plantão durante a fuga. Ele explicou que a obrigação do agente é ficar 24 horas no raio, mas como ninguém disse ter visto nada, o funcionário deve ter dormido ou abandonado o posto.

Se ficar confirmado que houve falha por parte dos funcionários, os responsáveis poderão ser punidos com sanções que vão de suspensão até demissão. Paralelamente ao processo administrativo, se ficar comprovado a participação de funcionário na fuga, ele poderá responder criminalmente por sua atitude.

De acordo com o diretor da PI, outros dois presos estavam na mesma cela dos fugitivos e optaram por não sair. No entanto, também não disseram como os colegas de cela fugiram. Ontem à tarde, a Penitenciária I abrigava 925 presos - a capacidade da unidade é para 526 pessoas.

No plantão de domingo para segunda estavam de serviço 20 agentes penitenciários. Erloza Júnior lembrou que a segurança da PI, por conta do desgaste do alambrado com o tempo - não foram trocados desde a entrega da unidade, há onze anos - está debilitada. Também citou que o quadro de funcionários é reduzido, que a unidade está com lotação bem acima para a qual foi projetada, mas que nada disso isenta uma eventual falha funcional.

Sobre os alambrados, o diretor da PI lembrou que técnicos da Secretaria das Administrações Penitenciárias já verificaram a necessidade da troca dos alambrados, que vários pedidos foram feitos, mas que, por enquanto, não foi liberada verba para a obra.

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