A convenção municipal do PMDB, agendada para amanhã, corre o risco de perder a legalidade se não houver quórum mínimo na votação. Segundo cálculos dos peemedebistas, serão precisos pelo menos 115 votos para legalizar a eleição que empossará o novo diretório municipal e, na seqüência, a executiva.
Ontem, o nome de Alex Gasparini foi reforçado para a presidência da executiva. Sua família, tradicional aliada do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB), decidiu formar uma chapa isolada, sem a participação dos tideístas. A situação é resultado da disputa do diretório estadual, que dividiu o partido.
Os Gasparini apóiaram a candidatura do ex-governador Orestes Quércia, vencedor da eleição, enquanto que Tidei e seu grupo trabalharam para eleger o deputado federal Milton Monti. A relação entre o ex-prefeito e Darci Gasparini se deteriorou e o distanciamento foi uma questão de tempo.
A falta de quórum na eleição de amanhã poderá provocar uma intervenção branca do diretório estadual na instância municipal. Mas os peemedebistas que organizaram a chapa única não trabalham com essa hipótese.
Segundo Alex Gasparini, a especulação em torno do assunto surgiu do grupo político de Tidei de Lima, que teria se articulado para esvaziar a convenção, numa tentativa de impedir a posse do novo diretório e da nova executiva municipais. Se isso ocorrer, só vai contribuir para diluir o partido, avisa Gasparini.
Mas ele está animado com a convenção e acredita que o evento vai se transformar numa grande festa, marcada pela ruptura com o PMDB comprometido com os interesses do poder. O peemedebista reconhece os incontestáveis serviços prestados por Tidei ao Município.
Mas ele resolveu tomar um rumo adverso. Minha maior decepção foi ver Tidei no palanque, na convenção de Brasília, ao lado de pessoas como Renan Calheiros, que foi líder do Fernando Collor, de Eliseu Padilha, ministro de FHC, de Michel Temer, que é um serviçal do Palácio do Planalto.
Gasparini diz que os militantes que integram a chapa dos independentes decidiram se somar de maneira espontânea. Assinaram a lista que compõem a chapa de maneira convicta, garante. Aos 87 anos, o mais tradicional peemedebista da cidade, Hipólito Aceituno, entende que o partido precisa ser reestruturado. Essa chapa dos independentes tem os princípios de Ulysses Guimarães e foi bem organizada pela família Gasparini.
Outro fundador do partido em Bauru, Francisco Romão Tuzan, comenta que não era mais possível assistir, calado, a interferência do Governo Federal, através dos tucanos, no PMDB. Benedito Pires, peemedebista que integra a chapa, define que do PMDB só ficou o P. Esqueceram do movimento popular, da democracia e dos brasileiros.
O ex-candidato a vereador Márcio Luiz de Maio elogia o novo grupo e ressalta que tentaram apagar a luz do partido em Bauru. Se não fosse a família Gasparini, o PMDB de Bauru estaria morto. Representando a ala feminina, Ruth Amaral conta que anseia pela volta da legenda às bases populares.
Já a peemedebista Darci Gasparini lamenta o rompimento com Tidei. Infelizmente, ele (Tidei) tomou um posicionamento que não era dele. O Tidei sempre foi batalhador e defensor das idéias de esquerda. Na eleição do diretório estadual, ele apoiou o grupo de Michel Temer, que é amigo do FHC.
Confirmação
Alex e Darci Gasparini pedem aos militantes que têm dúvidas em relação à filiação e votação que entrem em contato através dos telefones 223-9451, 9772-3920, 9114-3814 ou na rua Altino Arantes, 4-86.