De um lado: Processo sobre a fraude do Banco Econômico desaparece do Banco Central; Brindeiro manda arquivar inquérito do Banpará; ex-Presidente do Senado acumulou fortuna de 30 milhões como governador e vereador no Pará; esquema de venda de votos para reeleição presidencial é arquivado no Congresso; arquivado dossiê Caimã; empresas dos Deputados e Senadores são excluídas do relatório sobre a fraude da SUDENE; processos contra o Senador Jader Barbalho no caso SUDAM são arquivados; OAS de ACM lidera o ranking das obras públicas superfaturadas; rombo no FUNDEF chega a 18 bi; FAT acumula desvios de 45 bi; termoelétricas no governo de FHC seriam entregues à OAS de ACM; deputados e senadores envolvidos na fraude dos anões do orçamento renunciam e são reeleitos aos mesmos cargos; crise energética era previsível desde 1998; PROER destina 10 bi para socorrer banco Econômico, de ACM; Jader Barbalho não explica fortuna de 30 mi; Banco Central vendia informações ao Marka e FonteCindan; CPI da corrupção é abafada com liberação de verbas a parlamentares; deputados ligados ao narcotráfico não podem ser processados; SUDAM e SUDENE contabilizam 13 bi em desvios; quadrilhas fraudam INSS impunemente; ensino por ciclos diplomou o analfabetismo; ex-Presidente do Senado envolvido em fraude da TDA; Procurador Geral da República preocupa-se em abafar escândalos de parlamentares; Ministro Greca envolvido em fraude da campanha de FHC; projetos contra seca nordestina favorecem empresas de deputados; Secretário Geral a República não se lembra de 500 mil em sua conta; após 35 processos, família Maluf não explica origem de R$ 550 milhões em paraíso fiscal; Medeiros não explica casa de R$ 500 mil; recursos do Bando de Desenvolvimento Agrário são desviados no Pará; BNDS investe em projetos fantasmas; CPI das obras inacabadas é alvo de CPI; empresas de parlamentares são excluídas do relatório da CPI das obras inacabadas; Projetos do Incra revelam superfaturamento das desapropriações; Senador Luiz Otávio não explica onde gastou os R$ 10 milhões e nem as notas frias que assinou; Governo paulista não explica onde foram parar os 8 bi dos precatórios judiciais; projeto para erradicar a fome será pago pelo trabalhador (FGTS), e não pelo Governo; acordo entre líderes partidários favoreceria ex-políticos em sessão irregular; código de ética parlamentar favorece aos políticos, e por aí vai.
Por outro lado: Nordeste tem o maior índice de mortalidade infantil do planeta; favelas das grandes imputam vida subumana aos moradores; fome atinge 5% da população; o Brasil tem 52 milhões abaixo da linha de pobreza, ocupa o 48o lugar no ranking da corrupção mundial, o 39o lugar em pobreza humana, o 74o lugar no índice de desenvolvimento social, o 76o no índice de analfabetismo, 108o no índice de mortalidade infantil, 125o no índice de eficácia do sistema de saúde, e por aí vai novamente.
Entretanto, quando se vê parlamentares ou o Presidente falando sobre a situação do País, parece que estão comentando sobre a Suíça. A realidade dos políticos é tão, mas tão distante da realidade brasileira, que imputar-nos o horário político é dar o golpe de misericórdia. Todos sempre estão envolvidos de alguma forma com o governo, mas falam dos problemas como se eles fossem novos e a solução algo que dependesse de votar neste ou naquele partido. O ano eleitoral aproxima-se e, com ele, as expectativas de um povo sofrido, mas que continuará sofrendo, pois se solucionarem todos os problemas, como poderão existir plataformas políticas? Chega! (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)